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quarta-feira, setembro 16, 2026

Consumo regular de café e chá é associado a menor risco de demência, aponta estudo

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Pessoas que consomem diariamente café ou chá podem apresentar menor risco de desenvolver demência ao longo da vida, segundo um amplo estudo observacional que acompanhou mais de 130 mil indivíduos por cerca de quatro décadas. Os dados sugerem uma associação entre a ingestão moderada de cafeína e melhor desempenho cognitivo na velhice, embora os pesquisadores ressaltem que os resultados não estabelecem uma relação de causa e efeito.

De acordo com a análise, indivíduos que ingeriam em média duas a três xícaras de bebidas com cafeína por dia apresentaram um risco entre 15% e 20% menor de demência quando comparados àqueles que não consumiam cafeína. O levantamento também indicou um declínio cognitivo mais lento nesse grupo, além de melhor desempenho em alguns testes de função cerebral.

Os resultados foram publicados no Journal of the American Medical Association e se baseiam em registros de saúde coletados ao longo de décadas. A pesquisa avaliou tanto homens quanto mulheres e encontrou efeitos semelhantes associados ao consumo de café e chá.

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Apesar dos números, os autores reforçam que o estudo é observacional e não permite concluir que a cafeína, por si só, previna a demência. “O estudo, isoladamente, não pode provar causalidade”, afirmou o pesquisador Yu Zhang, autor principal do trabalho. Segundo ele, ainda assim, trata-se da evidência mais consistente até agora sobre a relação entre essas bebidas e a saúde cognitiva.

Possíveis explicações e limites

Especialistas apontam que o café e o chá contêm não apenas cafeína, mas também compostos como polifenóis, que podem contribuir para a proteção do cérebro. Em entrevista ao The Guardian, pesquisadores destacaram que essas substâncias estão associadas à melhora da saúde vascular e à redução de inflamações e do estresse oxidativo — fatores ligados ao envelhecimento cerebral.

Outro ponto levantado é a relação entre cafeína e menores taxas de diabetes tipo 2, condição reconhecida como fator de risco para demência. Ainda assim, os cientistas alertam que consumidores habituais de café e chá podem ter outros comportamentos de vida mais saudáveis, o que também influencia os resultados.

A pesquisa analisou dados de participantes de dois grandes estudos norte-americanos de saúde pública: o Nurse’s Health Study e o Health Professionals Follow-up Study. No conjunto dos dados, homens e mulheres que consumiam cafeína apresentaram, em média, um risco cerca de 18% menor de demência em comparação aos que não consumiam. Não foi observada associação semelhante entre o consumo de bebidas descafeinadas e a redução do risco.

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O professor de medicina Naveed Sattar, que não participou do estudo, ponderou que alcançar uma conclusão definitiva é complexo. Segundo ele, a cafeína pode ter tanto efeitos benéficos quanto potenciais impactos negativos sobre o cérebro, dependendo da dose e do perfil do indivíduo.

Zhang reforça que mais pesquisas serão necessárias para confirmar se o consumo dessas bebidas exerce, de fato, um papel protetor. “Não pense no café ou no chá como um escudo mágico”, afirmou, destacando que hábitos saudáveis devem ser considerados de forma integrada.

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