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quarta-feira, setembro 16, 2026

Arquivos revelam que União Soviética manteve programas secretos para investigar OVNIs

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Documentos inéditos tornados públicos recentemente indicam que a União Soviética levou a sério, por décadas, relatos sobre objetos voadores não identificados, apesar de negar oficialmente qualquer interesse no tema. Os arquivos revelam a existência de programas secretos voltados ao monitoramento de avistamentos, supostos contatos com entidades desconhecidas e fenômenos aéreos considerados fora do padrão.

O material foi divulgado pelo jornalista George Knapp, conhecido por reportagens sobre Fenômenos Aéreos Não Identificados. Segundo ele, os documentos foram retirados da Rússia em 1993, em meio ao período de instabilidade que se seguiu ao colapso da União Soviética, ocorrido em 1991. À época, parte desses registros havia desaparecido dos arquivos oficiais.

Embora o governo soviético tenha classificado publicamente os OVNIs, ainda em 1953, como uma invenção de “imperialistas americanos”, os papéis agora traduzidos apontam para uma postura bem diferente nos bastidores. Relatórios internos indicam que autoridades militares e científicas tratavam determinados casos como potenciais ameaças à segurança nacional ou como fenômenos ainda não explicados pela ciência conhecida.

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Projetos sigilosos e aumento de registros

De acordo com informações repercutidas pelo New York Post, a URSS estruturou ao menos três grandes programas de investigação. O primeiro, chamado “Network-AN”, teve início em 1979. Em seguida, foi implementado o “Galaxy-MD”, que funcionou entre 1981 e 1985. Já no fim da era soviética, entre 1989 e 1990, entrou em operação o projeto “Pluton 7”.

Os documentos também mencionam um programa posterior, denominado “Thread 3”, que estaria em andamento nos anos seguintes. Um relatório datado de 1993 aponta que os avistamentos cresceram de forma significativa a partir de 1978, levando o governo a catalogar milhares de ocorrências. Alguns relatos, segundo os investigadores, foram considerados suficientemente consistentes para justificar apurações aprofundadas, incluindo depoimentos de supostos abduzidos.

Casos emblemáticos

Entre os episódios descritos nos arquivos está o chamado incidente de Nalchik, ocorrido em 13 de fevereiro de 1989. Centenas de testemunhas relataram a presença de um objeto de grandes proporções, descrito como semelhante a uma água-viva, com cerca de 137 metros de diâmetro, sobrevoando a região entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. O objeto teria emitido uma intensa luz vermelha, que se dividiu em vários pontos verdes antes de desaparecer e retornar mais tarde acompanhado de uma nave menor.

Outro relato envolve Anatoly Malishev, então com 18 anos, que afirmou ter sido levado para o interior de uma nave em julho de 1975, na vila de Blagoveshenka. Segundo os documentos, investigadores acompanharam o jovem por anos e o descreveram como alguém sem histórico de delírios ou interesse em notoriedade.

Há ainda registros de um suposto contato ocorrido em 1979, na cidade de Derzhavinsk, no atual Cazaquistão. Crianças que participavam de um acampamento teriam seguido um clarão na floresta e encontrado figuras humanoides de grande estatura. Meses depois, os relatos foram reavaliados por investigadores, que destacaram a consistência das versões apresentadas.

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Contradição histórica

A divulgação dos documentos reforça uma contradição histórica entre o discurso público soviético e as práticas internas de seus órgãos de inteligência. Enquanto o tema era tratado oficialmente como propaganda estrangeira ou superstição, relatórios confidenciais indicam que o Estado investiu recursos para compreender fenômenos considerados potencialmente relevantes.

Especialistas ressaltam que os documentos não comprovam a existência de vida extraterrestre, mas revelam como governos, em contextos de Guerra Fria, lidavam com o desconhecido sob a ótica da segurança e da estratégia. A abertura desses arquivos lança nova luz sobre o interesse soviético por fenômenos aéreos não identificados — um interesse que, até agora, permanecia envolto em sigilo.

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