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quarta-feira, setembro 16, 2026

Robô com inteligência artificial passa a orientar pacientes em hospital europeu

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Pesquisadores da University of Twente testaram, em ambiente hospitalar real, um robô social equipado com inteligência artificial para responder dúvidas de pacientes. A iniciativa foi realizada em parceria com o hospital Medisch Spectrum Twente (MST) e com o Politecnico di Milano, e teve seus primeiros resultados divulgados em um estudo publicado na revista Frontiers in Digital Health.

O experimento surge em meio a um cenário de crescente pressão sobre os sistemas de saúde, marcado pela escassez de profissionais e pelo aumento de pacientes com doenças crônicas. Segundo os pesquisadores, melhorar o acesso à informação continua sendo um desafio central — e tecnologias digitais podem ajudar, desde que sejam implementadas com critérios claros de segurança, ética e confiabilidade.

Interação humana com tecnologia “com rosto”

Diferentemente de assistentes virtuais tradicionais, o sistema testado utilizou um robô físico, com rosto, expressões faciais e capacidade de fala. O objetivo foi avaliar se a presença corporal e a comunicação em linguagem natural influenciam a aceitação da tecnologia por pacientes e profissionais de saúde.

Durante os testes, participantes relataram que a interação foi simples, compreensível e, em muitos casos, agradável. Para o pesquisador Jan-Willem van ’t Klooster, responsável pelo estudo, os resultados devem ser interpretados com cautela.

Segundo ele, a pesquisa não buscou comprovar melhorias diretas na qualidade do atendimento médico, mas verificar se o sistema consegue operar de forma funcional no cotidiano hospitalar, sem gerar rejeição ou obstáculos adicionais.

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Testes clínicos controlados

Após uma fase inicial em laboratório, o robô foi incorporado à rotina clínica e testado com 21 pacientes diagnosticados com osteoartrite, além de sete profissionais de saúde. Ambos os grupos avaliaram positivamente a facilidade de uso e a utilidade do sistema — um passo considerado essencial antes de investigar possíveis benefícios mais amplos, como economia de tempo ou melhora na adesão a tratamentos.

Um ponto central do projeto foi o controle rigoroso das informações fornecidas pela inteligência artificial. O modelo baseado em GPT não teve acesso irrestrito à internet. Em vez disso, pôde consultar apenas fontes médicas previamente selecionadas e validadas por profissionais de saúde.

A estratégia foi adotada para reduzir o risco de respostas imprecisas ou informações fabricadas, fenômeno conhecido como “alucinação” em sistemas de IA generativa.

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Próximos passos

O desenvolvimento do robô envolveu uma equipe multidisciplinar, reunindo especialistas em tecnologia, médicos, designers e pesquisadores das áreas de ciências comportamentais e prática clínica. Os autores do estudo destacam que novas pesquisas ainda são necessárias, especialmente para definir o nível de linguagem mais adequado ao público hospitalar e avaliar o uso prolongado da tecnologia em diferentes contextos de atendimento.

Para os pesquisadores, o projeto não pretende substituir profissionais de saúde, mas explorar como robôs sociais podem atuar como ferramentas de apoio à informação, ajudando pacientes a compreender melhor sua condição e o funcionamento do sistema de saúde — sem abrir mão da supervisão humana.

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