O governo federal acumulou R$ 7 bilhões em despesas com viagens a serviço entre 2023 e 2025, período que corresponde aos três primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados constam no Portal da Transparência e englobam gastos de ministérios e órgãos federais, excluindo deslocamentos realizados diretamente pelo presidente da República.
Somente em 2025, o valor desembolsado chegou a R$ 2,35 bilhões, o que representa uma redução de cerca de 1% em relação a 2024, quando os gastos atingiram R$ 2,37 bilhões. Apesar do recuo pontual, a média anual do atual mandato segue acima da observada em administrações anteriores.
Desde o início do governo, os recursos aplicados em viagens oficiais já superam o total gasto entre 2017 e 2022, período que inclui os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Especialistas ressaltam, porém, que parte dessa comparação é influenciada pela queda abrupta nas despesas durante os anos de pandemia, quando restrições sanitárias reduziram drasticamente deslocamentos presenciais.
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Despesas históricas e perfil dos gastos
Entre 2015 e 2025, o governo federal desembolsou R$ 16,1 bilhões com viagens a serviço. O ano de 2024 aparece como o mais oneroso da série, enquanto 2020, marcado pelo auge da Covid-19, registrou o menor gasto, com R$ 545 milhões.
Os valores incluem passagens aéreas, diárias, taxas de agenciamento, restituições e outros custos operacionais. Viagens presidenciais não entram no levantamento.
Em 2025, a maior parte do orçamento foi direcionada a deslocamentos dentro do país, que somaram R$ 2,079 bilhões. Já as viagens internacionais responderam por R$ 276 milhões.
Os destinos mais recorrentes foram São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pará, este último impulsionado pela realização da COP30, em novembro. Estados como Sergipe, Amapá, Acre, Alagoas e Espírito Santo ficaram entre os menos visitados por representantes do Executivo federal.
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Ministérios que mais viajaram
O Ministério da Justiça e Segurança Pública liderou o ranking de gastos em 2025, com R$ 396 milhões. Na sequência aparecem os ministérios da Defesa (R$ 311 milhões), Educação (R$ 304 milhões) e Meio Ambiente e Mudança do Clima (R$ 126 milhões).
Sobre os gastos ambientais, o Ministério do Meio Ambiente informou que o valor empenhado no ano foi de R$ 145,6 milhões, considerando também órgãos vinculados, como o Ibama e o ICMBio.
“Do montante mencionado acima, sob administração Direta do MMA foram gastos aproximadamente R$ 10,2 milhões. O uso desta quantia foi para coordenação, articulação institucional e participação em agendas técnicas e estratégicas fundamentais para a formulação de políticas públicas”, informou o ministério.
Ainda segundo a pasta, o Ibama concentrou R$ 90,9 milhões, principalmente em ações de campo, fiscalização ambiental e combate a incêndios florestais. O ICMBio empenhou cerca de R$ 43,1 milhões, voltados à gestão de unidades de conservação e operações em áreas remotas.
Os demais ministérios citados foram procurados, mas não responderam até o fechamento da reportagem. O espaço permanece aberto.
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