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quarta-feira, setembro 16, 2026

Processo bilionário reacende acusações contra o espólio de Michael Jackson

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Um novo processo judicial voltou a colocar o nome de Michael Jackson no centro de uma disputa envolvendo acusações de abuso sexual. Supostas vítimas ingressaram na Justiça dos Estados Unidos contra o espólio do cantor e pedem uma indenização de US$ 200 milhões — valor que ultrapassa R$ 1,8 bilhão na cotação atual. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal TMZ.

A ação foi movida por Frank Cascio e seus irmãos, que afirmam que um acordo confidencial firmado em 2020 com os administradores do patrimônio do artista teria sido celebrado sob coação. Segundo os autores, os efeitos psicológicos dos supostos abusos ainda persistem e justificariam a reabertura do caso.

Os representantes do espólio reagiram com firmeza. Durante audiência recente, Marty Singer, advogado do patrimônio de Jackson, classificou a iniciativa como uma tentativa de extorsão financeira. A defesa da família Cascio rebateu. Para Howard King, advogado dos irmãos, o processo reflete danos reais e duradouros. Segundo ele, um dos envolvidos estaria “gravemente abalado” pelos episódios relatados.

King afirmou ainda que, ao assumir o caso em 2024, realizou entrevistas detalhadas com os cinco irmãos, somando mais de dez horas de depoimentos gravados. Para sustentar o valor elevado da indenização solicitada, a defesa mencionou um acordo anterior envolvendo Michael Jackson, nos anos 1990, quando um único acusador teria recebido cerca de US$ 25 milhões. “Agora, estamos falando de cinco pessoas”, argumentou o advogado.

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Relação próxima com o cantor

Frank Cascio integrou por décadas o círculo íntimo de Michael Jackson, atuando como assistente pessoal e mantendo uma relação de proximidade que começou ainda na adolescência. O vínculo teve início quando o pai de Cascio conheceu o cantor em um hotel de Nova York, o que levou Jackson a frequentar a casa da família ao longo dos anos, inclusive após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em 2011, Cascio publicou o livro Meu amigo Michael, no qual saiu em defesa do artista. Na obra, descreveu o comportamento de Jackson com crianças como “inocente” e afirmou que o cantor teria sido “mal interpretado”, dizendo nunca ter presenciado situações inadequadas — posicionamento que contrasta diretamente com as alegações apresentadas agora à Justiça.

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Reviravolta após documentário

De acordo com os administradores do espólio, a mudança de postura ocorreu após a exibição do documentário Leaving Neverland, lançado em 2019 pela HBO. Segundo John Branca e John McClain, coexecutores do patrimônio de Jackson, Cascio e seus advogados teriam procurado o espólio oferecendo materiais e serviços de consultoria, o que deu início a um conflito jurídico.

Em janeiro de 2020, as partes fecharam um acordo confidencial que previa cláusulas de arbitragem e pagamentos parcelados ao longo de cinco anos. O impasse voltou à tona em julho de 2024, quando Cascio passou a exigir US$ 213 milhões, sob a ameaça de ampliar a divulgação das acusações e interferir em negociações comerciais consideradas estratégicas.

Entre os negócios citados está a venda de 50% do catálogo musical de Michael Jackson para a Sony, concluída em 2024 por cerca de US$ 600 milhões. Para o espólio, a nova ação judicial está diretamente ligada a esse contexto financeiro e à valorização recente dos ativos do artista.

O caso agora será analisado pela Justiça americana, reacendendo debates jurídicos e públicos em torno do legado de um dos maiores nomes da história da música pop.

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