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quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasil lança centro dedicado a energias limpas no oceano e desenvolve tecnologias inéditas para geração em larga escala

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O Brasil deu um novo passo para integrar o oceano à sua agenda de descarbonização. O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo) foi selecionado em edital da Finep para criar o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano, batizado de Energia Azul. A iniciativa, financiada com cerca de R$ 15 milhões, vai desenvolver tecnologias capazes de transformar recursos marinhos em energia limpa com potencial de uso industrial e comercial.

O objetivo é aproximar o país das tendências globais da chamada economia azul, conceito em destaque na preparação para a COP30 e que considera o oceano como um eixo essencial da transição energética.

Quatro frentes de desenvolvimento

O novo centro concentrará esforços em sistemas que utilizam diferentes dinâmicas do ambiente marinho:

  • Conversão da energia das ondas, com dispositivos capazes de transformar o movimento do mar em eletricidade;

  • Aproveitamento das correntes de maré, por meio de turbinas submersas de geração contínua;

  • Tecnologias OTEC, que utilizam o gradiente térmico entre a superfície e as camadas profundas do oceano para gerar energia;

  • Produção de hidrogênio verde offshore, solução estratégica para setores difíceis de descarbonizar, como siderurgia, fertilizantes, óleo e gás e cimento.

Segundo o Inpo, tais tecnologias podem suprir demandas de indústrias intensivas em energia e reduzir emissões em atividades que têm dificuldade histórica de migrar para matrizes limpas.

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Potencial estratégico para o Brasil

Para o diretor-geral do Inpo, Segen Estefen, a combinação de vasta costa, ambiente marítimo favorável e capacidade técnica coloca o Brasil em posição privilegiada na transição energética global.

“A ampla disponibilidade de recursos renováveis no oceano e a experiência acumulada em operações offshore permitem transformar o mar em um aliado direto da geração sustentável de energia”, afirma Estefen.

Parte dos recursos — cerca de R$ 4,3 milhões — será destinada à formação de especialistas por meio de bolsas de pesquisa em instituições como UFRJ, UFPA, UFPE e FGV, ampliando a base científica nacional dedicada à energia oceânica.

Eólica offshore e hidrogênio verde: combinação decisiva

Um dos eixos mais estratégicos do projeto é o desenvolvimento de um módulo capaz de simular a produção de hidrogênio verde a partir da eólica offshore. A solução busca contornar a intermitência dos ventos, permitindo o armazenamento da energia excedente em forma de hidrogênio — aumentando a previsibilidade e competitividade das instalações no mar.

O potencial brasileiro impressiona. Há cerca de 250 GW em projetos de eólica offshore em análise no Ibama. Mesmo com apenas 20% desse volume instalado, o país adicionaria cerca de 50 GW à matriz elétrica — equivalente a quase um quarto de toda a capacidade atual.

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Turbinas de maré para regiões isoladas

O programa também prevê o desenvolvimento de turbinas voltadas ao aproveitamento de correntes de maré. Por operarem submersas e de maneira contínua, elas podem levar energia limpa a regiões remotas, especialmente comunidades da costa amazônica ainda dependentes de geradores a diesel. Equipamentos de pequeno porte, segundo o Inpo, já permitiriam ampliar significativamente o acesso à eletricidade nessas áreas.

Do laboratório ao mar: etapa crítica

O cronograma prevê a construção de quatro equipamentos piloto, cada um representando as tecnologias estudadas. Eles passarão por:

  • modelagem;

  • testes laboratoriais;

  • validação operacional;

  • e, ao final, preparação para instalação real no oceano.

A meta é reduzir a distância entre pesquisa acadêmica e aplicação prática — uma das principais barreiras para tecnologias pré-comerciais de energia oceânica.

Brasil mira liderança na economia azul

O Centro de Energia Azul surge em um momento de aceleração global da transição energética. Com o projeto, o Brasil busca consolidar competências próprias, criar novas oportunidades industriais e ampliar sua presença no mercado internacional de tecnologias renováveis.

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