A ofensiva da Polícia Federal contra articulações de grupos criminosos no Rio de Janeiro levou, nesta quarta-feira (3/12), à prisão preventiva do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa fluminense. Durante o cumprimento de mandados da Operação Unha e Carne, agentes localizaram R$ 90 mil em espécie no carro oficial utilizado pelo parlamentar, além de três celulares que serão periciados.
A ordem de prisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também determinou o afastamento imediato de Bacellar da chefia da Alerj. Segundo os investigadores, há indícios de que o deputado teria atuado para antecipar detalhes sigilosos da Operação Zargun, ação que mirou integrantes do Comando Vermelho (CV) e resultou na captura do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, em setembro.
De acordo com fontes ligadas ao inquérito, a PF suspeita que Bacellar alertou TH Joias horas antes da deflagração da operação, orientando que documentos fossem destruídos e que o aliado político deixasse o local para evitar a prisão. A conduta, segundo os investigadores, teria comprometido a estratégia de captura de lideranças do CV que mantinham relação com agentes públicos.
A PF detalha que a investigação integra o conjunto de medidas vinculadas à ADPF das Favelas (ADPF 635), que ampliou a atuação da corporação no combate aos principais grupos criminosos violentos do estado. Foram expedidos oito mandados de busca e apreensão, além da intimação de um investigado para cumprimento de medidas cautelares.
A prisão e a apreensão
Bacellar foi detido logo após chegar à Superintendência da PF no Rio, onde participaria de uma reunião institucional com o superintendente Fábio Galvão. Ao vistoriar o veículo oficial utilizado no deslocamento do deputado, agentes localizaram R$ 90 mil em cédulas, cuja origem ainda será investigada.
Operação Zargun e as conexões com o CV
A operação citada nos autos — Zargun — desmantelou um esquema de tráfico internacional de armas e drogas, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes públicos. O Ministério Público e a PF apontam que TH Joias funcionava como peça política estratégica do Comando Vermelho dentro da Alerj.
A ação cumpriu 18 mandados de prisão e 22 de busca, resultando ainda no sequestro de R$ 40 milhões em bens. Investigações indicam que TH Joias intermediava a aquisição de fuzis, munições e equipamentos antidrones, além de ter influenciado na nomeação de aliados da facção para funções públicas.
Também figuram como investigados personagens de diferentes frentes do esquema, entre eles:
- Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, tesoureiro do CV, responsável por movimentar cerca de R$ 120 milhões em cinco anos;
- Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, apontado como liderança da facção;
- Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual acusado de interferir em operações policiais;
- Policiais militares e um delegado federal investigados por fornecer proteção, informações privilegiadas e apoio logístico.
A defesa de Bacellar ainda não se manifestou sobre as apreensões e as acusações apresentadas pela PF.
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