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quarta-feira, setembro 16, 2026

Novo caso de cura do HIV desafia padrões e amplia perspectivas para terapias com células-tronco

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Um estudo divulgado pela revista Nature no Dia Mundial de Combate à Aids revelou um resultado que reacende o otimismo na comunidade científica: um homem tratado com células-tronco está livre do HIV após um transplante realizado originalmente para controlar uma leucemia mieloide aguda (LMA). Trata-se do sétimo caso documentado de eliminação completa do vírus em pacientes que conviviam com HIV e precisaram de terapia oncológica agressiva.

O paciente, hoje com 60 anos, recebeu o diagnóstico de HIV em 2009 e passou pelo transplante como parte do tratamento contra a LMA. Embora o procedimento seja considerado caro e arriscado, os autores do estudo afirmam que a evolução clínica registrada amplia o horizonte de possibilidades terapêuticas — sobretudo porque o caso B2 difere de todos os anteriores em um ponto crucial.

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Cura inesperada em um transplante arriscado

Nos episódios anteriores, a cura ocorreu após transplantes de doadores portadores de uma mutação genética rara, conhecida como CCR5 Δ32, presente nas duas cópias do gene responsável por um receptor usado pelo HIV para entrar nas células. Essa combinação genética impede a infecção e, por isso, era considerada indispensável para o sucesso da estratégia.

No caso mais recente, porém, o cenário foi bem diferente. O doador possuía apenas uma cópia da mutação, enquanto a outra era comum — o que, em teoria, seria insuficiente para bloquear o HIV. Apesar disso, seis anos após a suspensão dos antirretrovirais, o organismo do paciente não apresenta qualquer sinal de atividade viral. O resultado pegou de surpresa os cientistas, que agora investigam como a combinação de fatores imunológicos e o próprio processo de reconstrução celular pode ter contribuído para o desfecho.

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Um efeito colateral que se repete

Assim como nos seis casos anteriores, a eliminação do HIV não era o objetivo central da terapia — a prioridade era tratar o câncer. A cura, mais uma vez, surge como consequência indireta do transplante, reforçando a hipótese de que a substituição profunda do sistema imunológico pode impactar a persistência do vírus de maneiras ainda pouco compreendidas.

Os autores do estudo acreditam que o caso B2 expande as fronteiras do que se considera possível no campo da cura funcional do HIV. A constatação de que um doador parcialmente compatível com o perfil genético antes visto como ideal foi suficiente para erradicar o vírus aumenta a expectativa de que tratamentos semelhantes possam, no futuro, beneficiar mais pessoas.

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