O mercado de criptomoedas iniciou dezembro sob forte pressão. O bitcoin caiu abaixo de US$ 90 mil nesta segunda-feira (1/12), prolongando a sequência negativa que marcou novembro — mês em que a moeda acumulou sua maior perda desde 2021. Na mínima do dia, o ativo chegou a US$ 84.808, quase 7% abaixo do pregão anterior. Por volta das 10h10 (horário de Brasília), ainda operava em queda, cotado a cerca de US$ 85.959.
O tombo encerra um período de volatilidade elevada que se seguiu à euforia do mercado após a vitória de Donald Trump, quando a criptomoeda havia renovado máximas históricas. Só em novembro, o bitcoin recuou mais de US$ 18 mil, movimento acompanhado por uma saída significativa de recursos dos ETFs do setor — a maior retirada mensal em dólares desde maio de 2021.
Correlação com ações aumenta pressão
Sem um comportamento sazonal previsível para dezembro, analistas apontam que o bitcoin tem refletido com maior precisão o humor dos investidores globais. “O bitcoin tende a ser um indicador importante do sentimento geral de risco no momento, e sua queda não é um bom presságio para as ações no início deste mês”, afirmou Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB.
Brooks lembra que a baixa recente coincide com o recuo do índice de volatilidade VIX, que caiu abaixo da média dos últimos 12 meses — um sinal que costuma deixar gestores mais cautelosos quanto ao cenário de curto prazo. “Não há um fator determinante óbvio… mas a volatilidade muito baixa sugere apreensão com o que pode vir até o fim do ano”, disse ela.
Os contratos futuros de bitcoin na CME reforçam a percepção de fraqueza: o spread entre vencimentos curtos e de três meses está no menor nível em um ano, indicando menor disposição dos investidores em apostar em recuperação sustentada.
Ether também recua e cenário macro piora
A instabilidade afeta outras criptomoedas relevantes. O ether operava próximo de US$ 2.828, queda de 6,4% no dia, após perder cerca de 22% ao longo de novembro.
Diversos fatores têm contribuído para o clima negativo. Entre eles, o rebaixamento da Tether pela S&P Global, divulgado na semana passada. A agência apontou aumento de ativos de risco nas reservas da stablecoin e falhas persistentes na transparência das informações, avaliação com a qual a empresa disse “discordar veementemente”.
Outro sinal de pressão veio de Phong Le, CEO da Strategy — maior detentora corporativa de bitcoins no mundo. Em entrevista ao podcast “What Bitcoin Did”, Le afirmou que a companhia pode vender parte de suas reservas caso o indicador “mNAV” caia abaixo de 1. A relação hoje é de aproximadamente 1,19, segundo dados da empresa. A declaração preocupa investidores porque as ações da Strategy já acumulam queda de 60% no ano, bem acima dos 13% de desvalorização do próprio bitcoin.
Além disso, a provedora de índices MSCI está avaliando excluir de seus benchmarks companhias com mais de 50% dos ativos alocados em criptoativos, o que poderia acelerar fluxos de venda caso a mudança seja aprovada.
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Mercado perde mais de US$ 1 trilhão desde o pico
O setor como um todo encolheu de forma significativa. Após atingir capitalização recorde próxima de US$ 4,3 trilhões, o mercado cripto já perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor, segundo dados do CoinGecko. O avanço da Polymarket e o salto de valuation da plataforma para US$ 9 bilhões ilustram a dinâmica agressiva entre players, mas também reforçam o cenário de competição intensa em um mercado cada vez mais fragmentado.
O início turbulento de dezembro consolida um ambiente de incertezas que contrasta com os ganhos vistos no início do ano. E, para muitos analistas, a fragilidade recente confirma que o “inverno cripto” ainda está longe de terminar.
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