A imagem do ratinho correndo em direção a um queijo amarelo com furinhos atravessou séculos, marcou gerações em desenhos animados e se tornou símbolo universal desses animais. Mas, ao contrário do que a cultura popular sugere, ratos não têm preferência especial por queijo — e a ciência explica por quê.
A associação entre roedores e queijo surgiu muito mais por questões históricas do que por comportamento alimentar. Na Idade Média, grãos costumavam ser armazenados em recipientes fechados, enquanto queijos ficavam expostos em prateleiras e adegas. O resultado: ratos aproveitavam aquilo que estava mais acessível. Não por adoração ao queijo, mas por pura oportunidade.
Com o tempo, essa imagem se fixou na iconografia europeia, aparecendo em ilustrações medievais e, mais tarde, em produções culturais modernas. A estética do queijo — amarelo, triangular e cheio de buracos — também facilitou sua popularização como símbolo de “comida de rato”.
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O que a ciência diz sobre o paladar dos ratos
Estudos citados por veículos científicos como LiveScience e HowStuffWorks mostram que alimentos como manteiga de amendoim, cereais, sementes, frutas e itens adocicados são bem mais atraentes para ratos do que queijo.
E há outro ponto importante: roedores adultos tendem a ser intolerantes à lactose. Pesquisas publicadas no British Journal of Nutrition indicam que, após o desmame, a atividade da lactase — enzima responsável por digerir a lactose — despenca nos ratos. Isso significa que laticínios não são bem metabolizados, embora queijos maturados, com menor teor de lactose, possam ser consumidos sem grandes problemas.
Ou seja, ratos até podem comer queijo se encontrarem um pedaço perdido por aí, mas dificilmente vão escolhê-lo quando há outras opções por perto.
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Por que o mito sobrevive?
Simples: o símbolo funciona. A imagem é fácil de desenhar, identificar e repetir. Filmes, quadrinhos e campanhas publicitárias reforçaram por décadas a falsa ideia de que queijo é o alimento favorito dos ratos — de Tom & Jerry a Ratatouille.
Mas, na vida real, esses animais são onívoros oportunistas, adaptados a comer quase tudo o que estiver disponível, com clara preferência por alimentos ricos em carboidratos.
No fim das contas, o mito do rato amante de queijo é muito mais cultural do que biológico — e a ciência confirma que esse estereótipo resistiu ao tempo, mas não aos estudos.
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