O papa Leão XIV voltou a provocar debates dentro da Igreja Católica ao descartar, nesta quarta-feira (12), o caráter sobrenatural das supostas aparições de Jesus Cristo registradas em Dozulé, na França, durante a década de 1970. Segundo o pontífice, os episódios atribuídos à moradora Madeleine Aumont não têm origem milagrosa e não devem servir como objeto de veneração.
A declaração surge uma semana após outra afirmação contundente: Leão XIV disse que a Virgem Maria não é salvadora da humanidade, contrariando interpretações devocionais populares. Desde sua eleição, em maio, o papa tem sinalizado que pretende reavaliar práticas de fé que surgiram à margem do reconhecimento oficial do Vaticano — mesmo quando esses elementos fazem parte do cotidiano religioso de parte dos 1,4 bilhão de católicos no mundo.
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As visões de Dozulé
Entre 1972 e 1978, Aumont relatou ter visto Jesus 49 vezes — ou 50, segundo alguns devotos que mencionam um episódio adicional em 1982. Ela dizia receber mensagens sobre o fim dos tempos e afirmou ter presenciado as aparições ao lado do padre Victor L’Horset.
De acordo com os relatos, Jesus teria pedido a construção de uma cruz monumental de 738 metros de altura por 123 de largura, medidas que fariam referência às dimensões da cruz descrita na Bíblia. Apesar disso, apenas uma versão reduzida do monumento foi erguida no morro onde os encontros teriam ocorrido.
O movimento de devoção que se formou em torno de Dozulé chegou a comparar os relatos ao milagre de Fátima, mas o Vaticano nunca reconheceu o fenômeno como sobrenatural. Pelo contrário: a Igreja frequentemente demonstrou preocupação com orações próprias criadas por seguidores e com o conteúdo apocalíptico associado às mensagens atribuídas às aparições.
Um dos relatos citados por estudiosos menciona que Jesus teria pedido que a cruz e um santuário fossem erguidos até o fim de 1975 — que seria, segundo a suposta mensagem, o “último Ano Santo”.
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Novo pontificado, novos sinais
A revisão das aparições de Dozulé ocorre em meio a uma sequência de declarações do papa que apontam para uma postura doutrinária mais rigorosa, buscando separar a fé oficial de interpretações populares que ganharam força ao longo das últimas décadas.
Mesmo assim, Leão XIV tem demonstrado atenção às novas gerações, especialmente ao canonizar o jovem Carlo Acutis, conhecido como o “santo millennial”.
As declarações recentes do pontífice indicam que o Vaticano inicia um período de reavaliação de símbolos modernos de devoção, buscando manter o equilíbrio entre tradição, clareza doutrinária e diálogo com um mundo em transformação.
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