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quarta-feira, setembro 16, 2026

Teoria criada por físico brasileiro há 40 anos inspirou ganhadores do Nobel de Física de 2025

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Os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2025John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis, da Universidade da Califórnia — foram reconhecidos por demonstrar como efeitos da mecânica quântica podem se manifestar em sistemas visíveis a olho nu, rompendo a fronteira entre o micro e o macrocosmo.

Mas o que poucos sabem é que parte dessa conquista tem raízes brasileiras. O físico Almir Caldeira, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolveu há mais de quatro décadas uma teoria fundamental que serviu de base conceitual para o trabalho premiado.

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Uma contribuição que atravessou gerações

Em 1981, Caldeira propôs um modelo teórico sobre a perda de coerência quântica — o processo pelo qual sistemas quânticos interagem com o ambiente e passam a se comportar de forma clássica. O estudo, realizado em parceria com o físico alemão Anthony Leggett, foi decisivo para explicar por que os fenômenos quânticos não são observados em objetos maiores, mesmo que regidos pelas mesmas leis fundamentais.

Esse mecanismo, conhecido hoje como “decoerência quântica”, tornou-se peça central para o desenvolvimento de tecnologias modernas, como computadores quânticos e sensores ultra precisos.

Mais de 40 anos depois, os laureados com o Nobel conseguiram demonstrar experimentalmente a teoria de Caldeira, provando que os efeitos quânticos podem ser observados e controlados em sistemas macroscópicos.

Recebi com surpresa. Quando vi, pensei: agora foi coroado o projeto. Claro que seria melhor ganhar um prêmio, mas esse reconhecimento já é ótimo. Dá orgulho e você se sente recompensado”, afirmou Caldeira ao portal G1.

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Um marco para a ciência brasileira

Nascido no Rio de Janeiro, Almir Caldeira, 75 anos, é graduado e mestre pela PUC-Rio e doutor pela Universidade de Sussex (Reino Unido). Atualmente, dedica-se à formação de novos pesquisadores e é membro da Academia Brasileira de Ciências.

O professor destacou que ser citado no documento que embasou o Nobel representa um reconhecimento internacional da capacidade científica do país, mas também expõe a necessidade de mais investimento em pesquisa.

O Brasil tem físicos brilhantes, mas a ciência ainda precisa de apoio para transformar esse talento em inovação”, observou.

O feito reforça o papel da comunidade científica brasileira na fronteira do conhecimento global, mostrando que ideias desenvolvidas no país podem influenciar descobertas históricas — até mesmo aquelas dignas de um Prêmio Nobel.

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