Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA), cresce o número de pessoas que recorrem a chatbots e terapias automatizadas em busca de apoio emocional. Mas seria possível que a tecnologia substituísse um psicanalista?
A questão foi abordada pela professora Monah Winograd, do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, em artigo publicado no portal The Conversation. A pesquisadora afirma que, embora os algoritmos possam reproduzir padrões de fala e até sugerir respostas emocionalmente adequadas, não há verdadeira compreensão por parte das máquinas.
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“Uma IA pode parecer inteligente, mas isso não implica sentir e experimentar sensações”, explica Winograd. Ela cita o famoso experimento filosófico do “quarto chinês”, proposto por John Searle, para ilustrar a diferença entre manipular símbolos e entender significados. No experimento, uma pessoa que segue instruções para responder em chinês — sem saber o idioma — parece compreender a língua, mas, na realidade, apenas repete padrões.
De forma semelhante, a IA processa informações com base em lógica e estatística, sem consciência, intencionalidade ou afeto. “A psicanálise existe no espaço entre palavras, no silêncio entre frases, na transferência entre sujeitos”, afirma a pesquisadora.
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Para Winograd, a psicanálise se apoia em elementos que nenhum algoritmo é capaz de reproduzir: o desejo, a escuta e o sentido compartilhado. “Um chatbot pode conversar com você pela manhã. Mas ouvir, de fato — isso ainda é função do analista”, conclui.
A especialista reconhece que a tecnologia pode contribuir para o acesso à saúde mental, mas alerta para os riscos de substituir o encontro humano por interações automatizadas. “A IA pode ajudar, mas não pode cuidar”, resume.
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