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quarta-feira, setembro 16, 2026

Metanol pode destruir nervo óptico e causar cegueira irreversível

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O consumo acidental de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol pode levar a um quadro devastador para a visão. Entre os efeitos mais graves da substância está a destruição do nervo óptico, responsável por transmitir ao cérebro as imagens captadas pela retina.

De acordo com o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein, o risco é extremo. “O nervo óptico funciona como um cabo que conecta a retina ao cérebro, onde as imagens são processadas. Se for danificado, a transmissão falha e a visão pode ser perdida”, afirma.

A gravidade está na forma como o organismo metaboliza o metanol. O fígado transforma a substância em formaldeído e ácido fórmico, ambos altamente tóxicos. O ácido fórmico, em especial, interfere nas mitocôndrias — estruturas que geram energia para as células. Sem essa energia, o nervo óptico sofre inchaço, pressão e morte celular. “Células nervosas que morrem não se regeneram, daí a gravidade do caso”, completa Lottenberg.

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Estudos indicam que até 10 ml de metanol diluído em bebidas podem ser suficientes para provocar lesões oculares permanentes, enquanto a ingestão de 30 ml pode levar à morte. Os sintomas visuais não aparecem de imediato: podem surgir entre seis e 24 horas após o consumo e, muitas vezes, começam com sinais semelhantes a uma ressaca, como tontura, náusea e dor de cabeça.

Com a progressão, a visão se torna embaçada, manchas escuras passam a ocupar o campo visual e há maior sensibilidade à luz. Em casos avançados, a cegueira total pode se instalar como uma “névoa” que encobre a visão gradualmente.

O tratamento exige intervenção médica urgente. O etanol em grau medicinal é utilizado como antídoto porque compete com o metanol pela enzima responsável por sua metabolização. Dependendo do quadro, podem ser necessárias medidas para corrigir a acidose metabólica ou até hemodiálise para retirar a substância do organismo.

“O tempo é absolutamente fundamental. Se a intervenção for rápida, é possível reverter parte dos danos. Mas o tempo de ação é muito individual e depende da quantidade de álcool ingerida”, alerta Lottenberg.

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As autoridades de saúde reforçam que qualquer pessoa que apresente sintomas após ingerir bebidas de procedência duvidosa deve procurar imediatamente atendimento de emergência. O governo federal disponibiliza canais de contato, como o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001) e os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), além do Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (11 5012-5311 ou 0800-771-3733).

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