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quarta-feira, setembro 16, 2026

Receita Federal terá delegacia especializada para combater crime organizado

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25/9) a criação de uma delegacia da Receita Federal dedicada exclusivamente ao enfrentamento do crime organizado. O pedido será encaminhado ao Ministério da Gestão e Inovação (MGI), e a previsão é que a nova estrutura seja instalada nas próximas semanas.

Segundo o ministro, a medida busca consolidar o combate às organizações criminosas como política de Estado. “Ao institucionalizar, você impede retrocessos. Quando se cria um órgão de Estado para tal finalidade, fica mais difícil continuar com a prática”, afirmou em entrevista coletiva em Brasília.

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Operações recentes expuseram esquema bilionário

A decisão ocorre em meio à repercussão da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira, considerada um desdobramento da Operação Carbono Oculto, realizada em agosto. As investigações identificaram um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que movimentou mais de R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais — o equivalente a 0,1% do total.

Segundo a Receita, foram encontrados indícios de irregularidades em 200 postos de gasolina, mais de 60 motéis e 14 empreendimentos imobiliários, além de administradoras que movimentaram R$ 540 milhões no período. Em outro núcleo, 21 CNPJs ligados a 98 estabelecimentos de uma mesma rede movimentaram cerca de R$ 1 bilhão, mas emitiram apenas R$ 550 milhões em notas fiscais.

“Tem muita coisa para fazer. Muitas empresas operam na fronteira entre a legalidade e a ilegalidade, e isso dificulta a fiscalização”, avaliou Haddad. Questionado sobre o papel das Forças Armadas, ele afirmou que a responsabilidade é do poder civil: “É o poder civil que deve se organizar para combater o crime organizado”.

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Estrutura criminosa no setor de combustíveis

Na Carbono Oculto, uma megaoperação realizada em oito estados, as autoridades miraram núcleos ligados a facções criminosas e operadores financeiros de alto escalão. O grupo teria usado fintechs e cerca de 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, para lavar recursos ilícitos.

A Receita apontou que uma rede de 1.200 postos de combustíveis movimentou mais de R$ 52 bilhões em quatro anos, mas recolheu apenas R$ 90 milhões em tributos (0,17%).

A expectativa do governo é que a nova delegacia da Receita fortaleça a coordenação dessas investigações e permita resultados mais consistentes contra o crime organizado.

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