O cerco judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem restringido seus movimentos políticos no momento em que o Centrão intensifica articulações em busca de um nome competitivo para a disputa presidencial de 2026. Em prisão domiciliar e monitorado por tornozeleira eletrônica, Bolsonaro foi alvo de nova determinação do ministro Alexandre de Moraes (STF), que reforçou o policiamento em sua residência em Brasília após manifestação da PGR sobre risco de fuga.
Na semana passada, a Polícia Federal pediu o indiciamento do ex-presidente e de seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação e tentativa de dificultar as investigações da trama golpista. Entre os documentos apreendidos, foi encontrada até uma minuta de pedido de asilo ao presidente argentino Javier Milei.
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Processo judicial e inelegibilidade
Bolsonaro responde a processos por tentativa de golpe, organização criminosa e outros crimes. Ele já foi tornado inelegível pelo TSE em duas ações e, mesmo antes do julgamento do STF marcado para setembro, aliados avaliam alternativas de sucessão dentro e fora do clã.
Entre os nomes cotados, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece com boa aceitação, embora sem experiência política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não avança nas conversas de bastidores, enquanto Eduardo Bolsonaro insiste em ser o escolhido, mas enfrenta resistência e risco jurídico por sua atuação nos Estados Unidos.
Governadores em evidência
Com Bolsonaro fora de cena, governadores de centro-direita têm ocupado espaço. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO) apareceram juntos recentemente na Festa do Peão de Barretos, em clima de aliança. Segundo interlocutores, Tarcísio é visto como o nome mais viável para herdar o apoio da direita caso o ex-presidente siga impedido.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já indicou que aposta na candidatura do governador paulista como saída para manter o protagonismo do campo bolsonarista em 2026.
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Lula amplia laços ao centro
Enquanto a direita busca se reorganizar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ampliado conversas com líderes do MDB, PSD e Republicanos, acenando a uma aliança com setores da centro-direita. No campo da esquerda, Lula é tratado como candidato natural à reeleição.
O quadro atual mostra a direita fragmentada entre diferentes nomes e estratégias, enquanto Lula trabalha para se consolidar como o único postulante do seu campo político para 2026.
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