Desde fevereiro deste ano, quando deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve R$ 10,8 milhões em emendas parlamentares liberadas. O valor representa cerca de 66,6% do total de R$ 16,3 milhões indicados por ele em 2025. Os dados foram obtidos pelo Metrópoles no Portal da Transparência.
Apesar de estar fora do país há quase seis meses, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro permanece ativo na liberação de recursos públicos. Atualmente, ele ocupa a 126ª posição no ranking de parlamentares com mais emendas pagas no ano, entre os 594 congressistas que compõem o Congresso Nacional.
Eduardo está nos EUA desde o final de fevereiro, onde tem feito articulações políticas pedindo sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O deputado é investigado no STF por supostos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigações e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Conexões com o tarifaço de Trump
A estadia prolongada de Eduardo nos Estados Unidos ocorre em meio ao agravamento das relações comerciais entre os dois países. No início de julho, o ex-presidente norte-americano Donald Trump anunciou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, medida que o governo brasileiro interpreta como uma retaliação ideológica.
O Palácio do Planalto atribui a decisão à influência de aliados de Jair Bolsonaro nos bastidores da política norte-americana. Enquanto o governo Lula tenta negociar com diplomatas e autoridades dos EUA, lideranças bolsonaristas, como Eduardo, têm condicionado a reversão do tarifaço a pautas internas, como a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e o arquivamento de investigações sobre tentativa de golpe.
++ Brasil corre contra o tempo para evitar tarifaço de Trump e tenta apelar à Casa Branca
Apontamentos da PGR
Segundo a Procuradoria-Geral da República, Eduardo integra uma estrutura que, desde 2021, atuava para desacreditar as instituições democráticas e impedir a posse do presidente eleito. A trama, segundo o Ministério Público, envolveu civis e militares, uso indevido de órgãos de segurança, tentativas de manipular o processo eleitoral e até a facilitação de ações golpistas, como a invasão das sedes dos Três Poderes.
Entre os trechos mais graves do inquérito, a PGR menciona a existência de um plano que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes.
Enquanto isso, as emendas seguem sendo pagas. Mesmo atuando fora do país e sob investigação, Eduardo Bolsonaro continua a influenciar a destinação de recursos públicos federais, em um momento de tensão institucional e comercial entre o Brasil e os Estados Unidos.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



