Um novo estudo publicado na revista Nature Communications revelou que a pandemia de Covid-19 provocou efeitos neurológicos mesmo em pessoas que não foram infectadas pelo vírus. A pesquisa indica que o período de isolamento, estresse e mudanças na rotina acelerou o envelhecimento do cérebro em cerca de 5,5 meses, em média, entre indivíduos saudáveis.
A investigação foi conduzida por cientistas do Reino Unido, que analisaram dados do UK Biobank — um extenso banco de informações médicas da população britânica. Foram avaliadas imagens cerebrais de mais de 15 mil adultos com idade média de 63 anos, utilizando inteligência artificial para estimar a “idade cerebral” dos participantes. A comparação foi feita entre pessoas que realizaram exames antes da pandemia e outras que fizeram um exame antes e outro durante o período pandêmico.
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Os resultados apontaram que aqueles expostos às condições adversas da pandemia — mesmo sem contrair o coronavírus — apresentaram alterações no cérebro compatíveis com um envelhecimento acelerado. Os efeitos foram mais pronunciados em idosos, homens, pessoas desempregadas ou com menor renda, o que sugere que fatores sociais e psicológicos também desempenharam um papel significativo nesse processo.
Apesar da mudança estrutural detectada, os testes cognitivos mostraram perda de agilidade mental apenas entre os voluntários que efetivamente tiveram Covid-19. Segundo os autores, isso sugere que o envelhecimento do cérebro pode ocorrer sem necessariamente impactar de imediato a capacidade de raciocínio e memória.
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“A forma como vivemos influencia diretamente nossa saúde cerebral. Não é só a doença que importa, mas também o ambiente ao nosso redor”, afirma o pesquisador Ali-Reza Mohammadinejad, da Universidade de Nottingham, um dos autores do estudo.
Os pesquisadores alertam, no entanto, que os achados ainda não são conclusivos. Novas pesquisas devem ser realizadas para entender se os efeitos observados são temporários ou se deixam marcas duradouras no cérebro.
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