O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (17) que não vê outra saída a não ser enfrentar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que o acusa de liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A declaração, feita durante uma visita ao Senado, marca um dos primeiros reconhecimentos públicos por parte do ex-mandatário sobre a gravidade de sua situação jurídica.
“Vou enfrentar o julgamento, não tenho alternativa”, disse Bolsonaro, ao ser abordado por jornalistas enquanto deixava o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho.
A manifestação ocorre poucos dias após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entregar ao STF o parecer final na Ação Penal nº 2.668. No documento de 517 páginas, o chefe do Ministério Público Federal pede a condenação de Bolsonaro por cinco crimes: liderança de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e ameaça grave contra o patrimônio da União.
++ Jornalista da CNN causa polêmica ao chamar Bolsonaro de “Bozo” ao vivo
Além de Bolsonaro, outros aliados próximos também são réus no processo. A fase atual da ação judicial prevê a apresentação das alegações finais pelas defesas. O primeiro a se manifestar será Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no caso. Após o prazo de Cid, os demais envolvidos — incluindo Bolsonaro — terão 15 dias para enviar seus argumentos ao STF. A expectativa é de que essa etapa se encerre até 11 de agosto.
Mesmo com o processo em andamento, Bolsonaro voltou a tocar no tema da crise comercial com os Estados Unidos. Reagindo à imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump, o ex-presidente afirmou que gostaria de negociar pessoalmente com o norte-americano — mas ironizou o fato de ainda estar com o passaporte retido por ordem judicial.
“Se o Lula me der meu passaporte, eu negocio com o Trump”, afirmou. A fala ignora, no entanto, que a decisão sobre a devolução do documento cabe exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, e não ao atual presidente da República.
++ Moraes reage a defensor de réu do 8 de Janeiro e encerra participação após embate em audiência
A apreensão do passaporte de Bolsonaro foi determinada pela Corte em fevereiro de 2023, como parte das medidas cautelares ligadas às investigações sobre a tentativa de subversão democrática. Desde então, o ex-presidente está impedido de sair do país.
A declaração de Bolsonaro ocorre em um momento de intensificação do cerco judicial. Com o julgamento previsto para ocorrer entre agosto e setembro, a cúpula do STF se prepara para um dos casos mais emblemáticos desde o fim da ditadura militar — um processo que pode definir não apenas o futuro político do ex-presidente, mas também os limites institucionais da democracia brasileira.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



