15.9 C
São Paulo
quinta-feira, setembro 17, 2026

Infartos estão mais frequentes em jovens e alarmam especialistas no Brasil

Leia mais

Um problema que por muito tempo foi visto como exclusivo da terceira idade agora preocupa cada vez mais cedo. No Brasil, o número de infartos em pessoas com menos de 40 anos cresceu de forma consistente nos últimos anos e já ultrapassa 234 mil atendimentos entre 2022 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, mais de 7,8 mil jovens morreram em decorrência do problema, sendo o estado de São Paulo o que concentra o maior número de óbitos.

A maioria dos casos envolve homens, que respondem por mais de 156 mil procedimentos hospitalares e ambulatoriais, mas as mulheres também estão longe de escapar: foram mais de 77 mil registros em três anos. Embora a faixa entre 31 e 40 anos concentre a maior parte dos atendimentos, há notificações que chegam até adolescentes e crianças.

Para especialistas, o avanço do infarto em idades tão precoces é reflexo direto do estilo de vida adotado por muitos brasileiros. “A maioria dos jovens que infartam já apresenta algum fator de risco modificável. O infarto não vem ‘do nada’, como muitos imaginam”, alerta o cardiologista Rafael Côrtes, do Hospital Sírio-Libanês e diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Segundo Côrtes, o cigarro ainda é o principal inimigo do coração nessa faixa etária, mas o uso de anabolizantes também acende o sinal vermelho. “Mesmo pessoas saudáveis, que usam hormônios para fins estéticos ou esportivos, podem ter risco até três vezes maior de infartar”, explica.

O cardiologista Arthur Felipe Giambona Rente, da Rede D’Or São Luiz, faz coro ao colega e aponta outro vilão moderno: o cigarro eletrônico. “O vape também tem efeito negativo sobre o sistema cardiovascular”, afirma.

++ Mentir com frequência altera o cérebro, reduz a culpa e pode afetar a saúde mental

Herdeiros de maus hábitos e vítimas da pandemia

A pandemia da Covid-19, além de seus próprios impactos no organismo, acabou criando o cenário perfeito para que doenças cardiovasculares avançassem. O sedentarismo aumentou, a alimentação piorou, o sono foi prejudicado e o estresse bateu recordes, o que impulsionou o acúmulo de gordura visceral — aquela mais ligada a processos inflamatórios e ao infarto precoce.

“A média de tempo sentado aumentou em duas horas por dia, a atividade física despencou e houve piora em outros pilares de saúde”, destaca Côrtes. Rente lembra que a infecção pelo coronavírus também deixou marcas no coração: “Vários estudos internacionais mostraram aumento de eventos cardíacos mesmo entre pessoas jovens e sem doenças prévias. A infecção pode provocar inflamações nos vasos e no coração.”

Além disso, o medo de contrair a Covid afastou muitos das consultas e exames, retardando diagnósticos que poderiam ter prevenido complicações.

Desigualdade pesa na conta do coração

Os dados nacionais mostram que viver em regiões com menos acesso à saúde faz diferença. Norte e Nordeste apresentam índices maiores de mortalidade, um retrato das barreiras estruturais enfrentadas nesses locais. “Essas desigualdades impactam tanto o risco de desenvolver a doença quanto a chance de sobreviver a um infarto. Jovens de baixa renda muitas vezes chegam tarde ao hospital, em piores condições, e nem sempre recebem o tratamento ideal”, alerta Côrtes.

Para Rente, é necessário olhar além do hospital. “Não basta tratar quem chega ao hospital. É preciso investir em prevenção, especialmente nas comunidades mais vulneráveis, onde o acesso à informação e ao cuidado é limitado.”

++ Após coma, homem acorda com memórias de uma vida que nunca viveu

O que pode virar o jogo

Campanhas educativas nas escolas, estímulo a hábitos saudáveis desde cedo e combate ao uso de substâncias como cigarros, drogas e esteroides estão entre as principais estratégias sugeridas pelos cardiologistas. Identificar logo fatores como pressão alta, colesterol elevado e histórico familiar é outra peça-chave no enfrentamento ao infarto precoce.

“Precisamos olhar com atenção para quem tem pressão alta, colesterol elevado ou sinais de uso de substâncias”, conclui Rente.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias