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quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasil pode ganhar em saúde, crédito e energia com decisões do Brics

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Após dois dias de debates intensos, a 17ª Cúpula do Brics chegou ao fim nesta segunda-feira (7/7), com a assinatura de uma série de acordos que prometem reflexos diretos na vida dos cidadãos dos países-membros — especialmente no Brasil. As deliberações abordam temas como financiamento climático, inteligência artificial, saúde pública e cooperação internacional, reforçando o compromisso do bloco com o multilateralismo.

Criado inicialmente como uma sigla para atrair investidores, o Brics tornou-se, ao longo das últimas duas décadas, uma plataforma política de peso no cenário internacional. Composto por países com grande população, vasto território e rápido processo de industrialização, o grupo hoje reúne 11 nações: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia.

Segundo Haroldo Ramanzini Junior, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), o Brasil tem usado sua posição dentro do Brics para fortalecer sua imagem como defensor do diálogo internacional, da paz e do desenvolvimento sustentável. “A presidência brasileira no bloco reforçou nossas credenciais diplomáticas em um cenário global cada vez mais fragmentado”, afirma.

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Embora tratados internacionais muitas vezes pareçam distantes da rotina da população, os especialistas ressaltam que as decisões do Brics podem trazer ganhos concretos para os brasileiros. É o caso da busca por condições mais justas de financiamento global, como destaca Eduardo Galvão, professor de Relações Internacionais do Ibmec. “A proposta é facilitar o acesso a crédito para áreas como infraestrutura, saúde, educação e inovação. Com juros mais baixos, os serviços chegam com mais eficiência à população.”

Outro ponto com potencial impacto direto é a atuação do Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelo Brics e responsável por financiar projetos estratégicos nos países-membros — inclusive no Brasil. A instituição pode ajudar a acelerar investimentos em áreas essenciais, como saneamento e energia limpa.

Para Fernando Valente Pimentel, presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a pressão do bloco por uma reforma no Fundo Monetário Internacional (FMI) também é promissora. Segundo ele, a mudança poderia garantir aos países em desenvolvimento acesso a linhas de crédito mais justas e menos condicionadas a políticas restritivas.

Apesar dos avanços, o comunicado final da cúpula gerou reações. A nota condenou ataques recentes ao Irã, mas sem citar diretamente os Estados Unidos ou Israel. Também abordou o conflito na Faixa de Gaza, defendendo a criação de dois Estados — uma solução criticada pelo chanceler iraniano, presente no evento.

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Outro ponto controverso foi a omissão de críticas diretas ao governo norte-americano nas menções às crescentes tarifas comerciais. O silêncio não passou despercebido. Em resposta, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu retaliações de 10% em tarifas a países que, segundo ele, aderirem a políticas “antiamericanas”.

Lula, por sua vez, reafirmou o direito dos países a adotarem o princípio da reciprocidade e voltou a defender o multilateralismo. A posição do presidente brasileiro tem se tornado recorrente em fóruns internacionais, principalmente diante da possível volta de Trump à Casa Branca e de sua retórica protecionista.

Para Galvão, a abertura de mercados pode beneficiar produtores brasileiros e reduzir o custo de vida. “A política externa pode parecer um jogo distante, mas ela influencia desde o preço da energia até o acesso a medicamentos. O desafio agora é fazer com que as decisões do Brics saiam do papel e melhorem, de fato, a vida de quem mais precisa”, conclui.

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