O cenário imponente do Monte Everest, o ponto mais alto da Terra com 8.848 metros de altitude, vem se transformando drasticamente nos últimos anos. Localizada entre o Nepal e o Tibete, a montanha símbolo do montanhismo mundial sofre os efeitos combinados das mudanças climáticas e da explosão do turismo de aventura.
Desde que Edmund Hillary e o sherpa Tenzing Norgay chegaram ao topo pela primeira vez, em 1953, o número de escaladores aumentou de forma exponencial. De apenas 150 alpinistas nas três décadas seguintes, o Everest passou a receber centenas de pessoas por ano — em 2019, o número recorde foi de 877 ascensões, segundo o professor Carl Cater, especialista em turismo da Universidade de Swansea. Em 2024, a marca quase se repetiu.
Essa popularização levou à instalação de estruturas como acampamentos, barracas com bebidas e até pequenas festas nas trilhas. O acesso facilitado por estradas pavimentadas e o crescimento das expedições comerciais reforçam a pressão humana sobre o ecossistema local.
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Paralelamente, o Everest enfrenta as consequências visíveis do aquecimento global. Imagens recentes comparadas com registros da expedição de 1921 mostram uma significativa perda de gelo em várias regiões. Estudos apontam que as geleiras ao redor da montanha diminuíram entre 26% e 28% entre os anos 1970 e 2010. “Embora a paisagem continue espetacular, o degelo é alarmante”, alertou Carl Cater.
Outro aspecto desafiador da escalada é a chamada “zona da morte”, área acima dos 8 mil metros de altitude onde o ar rarefeito aumenta drasticamente o risco de problemas cardiovasculares. Para quem tenta alcançar o cume, o perigo é constante — e há uma regra tácita entre os alpinistas: corpos encontrados no caminho geralmente são deixados para trás.
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A montanhista britânica Bonita Norris, que subiu o Everest em 2010, falou sobre a dureza dessa realidade em entrevista recente. “Resgatar alguém naquela altitude pode custar outras vidas. Às vezes, não há escolha”, relatou.
Entre gelo que desaparece, turistas que se multiplicam e desafios que colocam a vida em risco, o Everest revela uma paisagem em transformação — marcada pela beleza, mas também pelas consequências da ação humana.



