Um dos minerais mais curiosos e raros do planeta acaba de ter seu segredo desvendado por cientistas britânicos. Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres conseguiram explicar como se forma a jadarita, um composto mineral cuja composição química chamou atenção por lembrar a famosa kriptonita das histórias do Superman.
Descoberta em 2004 na Bacia de Jadar, na Sérvia, a jadarita não tem o brilho esverdeado característico da ficção. Na realidade, ela é um mineral branco e inofensivo, que só revela um leve tom alaranjado sob luz ultravioleta. Ainda assim, seu valor vai muito além da semelhança com os quadrinhos: ela é rica em lítio, um elemento essencial para a produção de baterias para veículos elétricos e outros dispositivos tecnológicos.
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Condições geológicas quase impossíveis de replicar
Segundo o estudo publicado recentemente na revista Nature Geoscience, a formação da jadarita depende de uma combinação geológica extremamente rara. Os pesquisadores descobriram que o mineral só se forma quando há uma interação muito específica entre três elementos principais: lagos alcalinos, vidro vulcânico rico em lítio e um processo de transformação de argilas em estruturas cristalinas altamente especializadas.
“É como uma receita de bolo onde cada ingrediente e cada etapa do preparo precisam ser exatos”, explica o geólogo Francesco Putzolu, um dos autores do estudo. “Se a temperatura, a acidez ou a composição mineral não estiverem dentro de uma faixa muito restrita, a jadarita simplesmente não se forma.”
Um potencial estratégico para a transição energética
A descoberta das condições exatas de formação do mineral pode abrir caminho para futuras explorações em outras partes do mundo — ou até para tentativas de produção sintética em laboratório.
A Bacia de Jadar abriga um depósito considerado estratégico: se a extração for viável, a quantidade de lítio disponível ali seria suficiente para suprir cerca de 90% da demanda europeia por veículos elétricos, segundo os cálculos de especialistas.
Além disso, o processo de extração da jadarita consome menos energia do que o de outros minerais que também contêm lítio, como o espodumênio, atualmente mais utilizado na indústria.
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Por que o nome não é “kriptonita”?
Embora a semelhança química com a famosa substância de Superman tenha rendido manchetes e comparações, a jadarita não pôde ser batizada de “kriptonita”. Isso porque, segundo as regras internacionais de nomenclatura mineral, o nome exigiria a presença de criptônio, um gás nobre que não faz parte da composição da jadarita.
A granulação do mineral também é muito fina: os cristais individuais têm menos de cinco micrômetros de diâmetro, o que torna sua análise e extração um desafio técnico.
Com o aumento da demanda global por fontes renováveis de energia, o conhecimento sobre a formação da jadarita pode ajudar a guiar novas descobertas e tecnologias de extração, aproximando a ciência de soluções mais sustentáveis para o futuro energético mundial.
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