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quarta-feira, setembro 16, 2026

Falta de cooperação do Discord trava investigação sobre ataque a escola em SP

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Mais de dezoito meses depois do ataque a tiros na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, a Polícia Civil ainda esbarra na falta de acesso a conversas trocadas no Discord — plataforma onde o atentado foi articulado por um dos envolvidos. O conteúdo, considerado essencial para identificar outros participantes do grupo, nunca foi completamente fornecido pela empresa às autoridades brasileiras.

Segundo investigações do 69º Distrito Policial (Teotônio Vilela), prints mostram que o autor dos disparos, um adolescente de 16 anos, detalhou o plano em um grupo do Discord antes de cometer o crime. Ele compartilhou imagens do colégio, pediu sugestões sobre como registrar a cena e recebeu incentivos de outros usuários. Apesar das tentativas da polícia e de uma decisão judicial que autorizou a quebra de sigilo das conversas, a plataforma não entregou o conteúdo integral.

A empresa americana chegou a orientar as autoridades a utilizar a ferramenta Kodex, voltada para solicitações jurídicas. Mesmo seguindo o passo a passo indicado, a polícia não obteve sucesso. A última tentativa de acesso ocorreu em março deste ano, sem retorno.

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A ausência de informações prejudica diretamente o avanço da investigação. Até o momento, apenas o autor do ataque foi responsabilizado no Brasil. Ele cumpre medida socioeducativa na Fundação Casa. Embora prints revelem que outros membros do grupo tinham conhecimento e chegaram a auxiliar o planejamento, ninguém mais foi identificado formalmente no país.

Em Portugal, no entanto, as autoridades tiveram mais êxito. Um adolescente português, suspeito de criar o grupo no Discord e de incitar a violência, foi preso preventivamente e denunciado pelo Ministério Público do país. Já no Brasil, a Polícia Federal também acompanha o caso, mas não confirmou se obteve o material necessário para sua investigação.

Procurado, o Discord afirmou, em nota, que colaborou com o Ministério da Justiça do Brasil e com as autoridades portuguesas, e que mantém diálogo com a Polícia Civil de São Paulo. A plataforma reforçou que segurança é uma prioridade e disse estar aberta a novas aproximações das autoridades para continuidade das apurações.

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Relembre o caso

Na manhã do dia 23 de outubro de 2023, um aluno da Escola Estadual Sapopemba entrou armado no colégio e atirou contra colegas. Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, foi atingida na nuca e morreu no local. Outras duas estudantes ficaram feridas e sobreviveram. Um quarto aluno teve ferimentos leves ao tentar fugir.

A arma usada no atentado pertencia ao pai do adolescente. Durante depoimento, ele apresentou versões diferentes para justificar a ação. Nesta terça-feira (10/6), a Polícia Civil encaminhou o inquérito à Justiça, sugerindo que o caso seja conduzido a partir de agora pela Polícia Federal.

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