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quarta-feira, setembro 16, 2026

Greta Thunberg denuncia ação israelense como sequestro em alto-mar e pede libertação de ativistas detidos

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Após ser detida por forças israelenses enquanto navegava em direção à Faixa de Gaza, a ativista ambiental Greta Thunberg fez duras críticas ao governo de Israel nesta terça-feira (10), durante passagem por Paris. Segundo a sueca de 22 anos, o grupo foi “atacado e sequestrado ilegalmente” quando seu veleiro humanitário foi interceptado em alto-mar, a mais de 180 quilômetros de distância da costa.

“O que Israel fez foi uma violação do direito internacional”, afirmou Greta. “Nos levaram à força para Israel, sem nosso consentimento.” Ela e outros três ativistas aceitaram a deportação voluntária e foram enviados de volta aos seus países, enquanto oito integrantes do grupo decidiram resistir à expulsão e continuam presos.

O barco, de nome Madleen, transportava suprimentos básicos em uma ação simbólica organizada pela Flotilha da Liberdade — iniciativa internacional que busca denunciar o bloqueio imposto por Israel à população palestina. A embarcação foi rebocada até o porto de Ashdod por militares israelenses.

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Greta reforçou que o tratamento recebido por ela em Israel não se compara ao sofrimento da população em Gaza. “As verdadeiras vítimas estão lá. Nós estamos apenas tentando chamar atenção para isso”, disse, acrescentando que os países europeus precisam agir imediatamente para frear o que considera uma tragédia humanitária.

Um dos detidos que segue preso é o brasileiro Thiago Ávila, ao lado da eurodeputada franco-palestina Rima Hassan. “Estou muito preocupada. Não pude me despedir e soubemos que eles enfrentam dificuldades para acessar advogados”, declarou Greta, pedindo mobilização internacional pela libertação dos ativistas.

A resposta israelense à ação foi dura. O ministro da Defesa, Israel Katz, acusou Greta de “apoiar o Hamas” e afirmou que os militares mostraram aos ativistas imagens dos ataques de 7 de outubro. “Eles precisam entender com quem Israel está lidando”, disse ele, em nota divulgada por sua assessoria. O Ministério das Relações Exteriores do país classificou o veleiro como “iate do selfie” e disse que os ativistas buscavam apenas “projeção midiática”.

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O governo da Turquia chamou a abordagem israelense de “ataque hediondo”. Já o Irã falou em “pirataria em águas internacionais”. Francesca Albanese, relatora da ONU para direitos humanos na Palestina, declarou que “a missão não terminou” e convocou novas iniciativas em solidariedade aos palestinos.

A ofensiva contra o Madleen ocorre num contexto de críticas crescentes à atuação de Israel na crise humanitária em Gaza. Apesar de ter autorizado recentemente a entrada de parte da ajuda humanitária, entidades como a ONU se recusam a colaborar com a nova Fundação Humanitária de Gaza, criada com apoio dos EUA, apontando falta de neutralidade.

Desde o início do conflito, mais de 54 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, enquanto o ataque do Hamas, em 7 de outubro, deixou mais de 1.200 mortos em Israel. Ainda há 54 reféns em poder do Hamas, segundo autoridades israelenses.

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