Os Estados Unidos vivem dias de forte tensão social e institucional após a imposição de toque de recolher em Los Angeles, na tentativa de conter protestos provocados por operações de deportação em massa. A decisão, determinada por autoridades locais após uma série de saques e confrontos noturnos, acirrou os ânimos em um país já polarizado.
A reação se espalhou por outras metrópoles americanas. Em Nova York, Atlanta e Chicago, manifestantes se reuniram nesta terça-feira para denunciar as ações do governo federal contra imigrantes. Em Chicago, parte do grupo escalou a escultura de Picasso na Daley Plaza em sinal de protesto. Os gritos pediam o fim do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), responsável por centenas de prisões desde o fim de semana.
Com atos previstos também para os próximos dias, principalmente em regiões do sul do Texas, o governador do estado, Greg Abbott, anunciou o envio da Guarda Nacional como medida preventiva. Em Austin, a polícia chegou a usar gás químico para dispersar manifestantes.
O presidente Donald Trump ordenou o deslocamento de cerca de 700 fuzileiros navais e quatro mil soldados da Guarda Nacional para a Califórnia. Apesar do reforço, os militares permanecem, até o momento, fora das ruas, concentrados em bases no entorno de Los Angeles. A prefeita Karen Bass declarou que a maioria dos protestos foi pacífica e questionou a necessidade da presença militar, alegando que o envio representa mais uma escalada do que uma solução.
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“[Trump] redobrou a aposta com o perigoso envio da Guarda Nacional, atiçando ainda mais as chamas. E o presidente fez isso de propósito”, criticou o governador Gavin Newsom em pronunciamento na noite de terça-feira. Ele afirmou que 220 pessoas foram presas até agora e que outras investigações estão em andamento. “Esse tipo de comportamento criminoso não será tolerado. Ponto final.”
Newsom também fez duras críticas às políticas migratórias do presidente, que classificou como “ações indiscriminadas contra famílias imigrantes trabalhadoras”. Segundo ele, as operações do ICE “traumatizam comunidades” e colocam a democracia em risco. Cerca de 300 imigrantes já foram detidos, e o órgão federal afirmou que continuará com as batidas, mesmo diante da crescente oposição popular.
O governador defendeu o direito ao protesto pacífico e acusou o presidente de estimular o caos como forma de ampliar seu poder. “Trump e seus apoiadores prosperam na divisão. E, é claro, Trump não se opõe à anarquia ou à violência, contanto que isso o sirva. Que mais provas precisamos do que 6 de Janeiro?”, declarou, referindo-se à invasão do Capitólio em 2021.
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A crise política entre os dois líderes escalou ainda mais nesta semana. O estado da Califórnia entrou com uma ação judicial para barrar o envio de tropas federais. Em resposta, Trump sugeriu que Newsom deveria ser preso. Em discurso na base militar de Fort Bragg, o presidente reforçou sua postura e disse que “libertará Los Angeles” da “ilegalidade e das ameaças estrangeiras”.
“Gerações de heróis do exército não derramaram seu sangue em terras distantes apenas para assistir nosso país ser destruído por invasões e pela ilegalidade do Terceiro Mundo”, declarou Trump. Ele ainda afirmou que está disposto a invocar a Lei da Insurreição caso os protestos se transformem em rebelião — o que lhe daria poderes para empregar o Exército dentro do território nacional.
Enquanto isso, as ruas continuam ocupadas por cidadãos que reivindicam respeito aos direitos civis e condenam o que veem como perseguição contra comunidades vulneráveis. Com a tensão em alta e o embate político se aprofundando, o país caminha para mais um capítulo de instabilidade que desafia suas instituições e expõe as fraturas sociais que há muito se acumulam.
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