É difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido a expressão de que os gatos têm sete vidas. A ideia, passada de geração em geração, transcende fronteiras e línguas — em alguns países, como os de língua inglesa, o número sobe para nove. Mas afinal, de onde surgiu essa crença tão popular quanto intrigante?
A resposta passa por uma combinação de mitos culturais, observação popular e o comportamento enigmático desses animais. Ágeis, silenciosos, donos de reflexos rápidos e um equilíbrio surpreendente, os felinos parecem desviar com facilidade de situações que colocariam outros animais em risco. A queda de uma varanda ou o salto de um muro alto, por exemplo, raramente resultam em ferimentos graves.
“A associação com múltiplas vidas não tem base científica, mas é sustentada por registros históricos e tradições populares”, afirma a veterinária Bárbara Lopes, da clínica VetSmart, em Brasília. Segundo ela, os gatos sempre foram cercados de simbolismo — seja na antiguidade egípcia ou em contos populares europeus — e a capacidade de se recuperar rapidamente alimentou esse imaginário coletivo.
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Além da anatomia que impressiona, com articulações extremamente flexíveis, garras retráteis e sentidos aguçados, os gatos carregam heranças comportamentais de seus ancestrais selvagens. A veterinária e professora universitária Kássia Vieira lembra que, para sobreviver em ambientes hostis, os felinos precisavam esconder sinais de fraqueza. “Mesmo quando estão doentes, é comum não apresentarem sintomas evidentes. Só se percebe que algo está errado quando deixam de se alimentar ou quando o quadro já está avançado”, explica.
Esse traço, somado ao menor tempo de domesticação em comparação com os cães, também ajuda a explicar por que os gatos aparentam ser mais resistentes a doenças infecciosas. Ainda assim, reforçam as especialistas, a ideia de que precisam de menos cuidados é um mito perigoso. Eles exigem atenção constante, vacinação e ambientes seguros.
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“Mesmo quando a queda parece não ter consequências, é fundamental procurar ajuda veterinária. Gatos disfarçam dor com habilidade, o que pode atrasar o diagnóstico de problemas internos”, alerta Bárbara.
Afinal, os gatos não têm sete vidas — mas suas habilidades fazem parecer que sim. E talvez esteja aí o verdadeiro encanto desses animais: sobreviver quando todos esperavam o contrário.
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