Um estudo publicado na revista The Lancet revelou que ao menos 20 vacinas contra a gripe aviária já foram aprovadas por órgãos reguladores em dez países. A principal preocupação é conter o avanço da cepa H5N1 2.3.4.4b, detectada em 2022 e considerada a mais agressiva desde o surgimento do vírus, em 1996.
As vacinas foram desenvolvidas com caráter emergencial e estão prontas para uso em locais como Austrália, Bélgica, Canadá, China, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Reino Unido e União Europeia. Dentre esses, apenas a Finlândia já iniciou a vacinação de grupos de risco.
No Brasil, o Instituto Butantan desenvolveu um imunizante específico contra o H5N1, mas ainda aguarda a autorização da Anvisa para dar início aos testes clínicos em humanos.
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Tipos de vacina e eficácia
Segundo o estudo, as vacinas aprovadas são de dois tipos principais:
- Com vírus inativado, produzidas a partir de ovos de galinha;
- Com vírus vivo atenuado, cultivadas em células.
A maioria dos imunizantes inclui adjuvantes, substâncias que reforçam a resposta imunológica, permitindo o uso de menor quantidade de antígeno sem perda de eficácia. Dez vacinas já estão indicadas para crianças e idosos, ampliando a proteção em faixas etárias mais vulneráveis.
Segurança e reações
Mais de 32 mil pessoas participaram dos testes, e o perfil de segurança foi considerado positivo. Os efeitos adversos mais comuns foram leves ou moderados — dor no local da aplicação, fadiga e dor de cabeça. Em crianças, foram relatadas reações sistêmicas como febre, mal-estar e dores musculares, respostas esperadas diante do estímulo imunológico.
No entanto, ainda faltam dados conclusivos sobre o uso em gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas.
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Alta letalidade acende alerta global
Em 2024, o surto da gripe aviária atingiu níveis alarmantes: quase mil casos humanos confirmados, com taxa de mortalidade de cerca de 50%. O vírus, que circula amplamente entre aves e mamíferos, ainda possui baixo risco de infecção entre humanos, com transmissão concentrada em profissionais que têm contato direto com animais contaminados.
Vale destacar:
- A doença não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos de aves infectadas;
- A infecção ocorre principalmente por contato com secreções respiratórias, fezes ou superfícies contaminadas.
Próximos passos
Especialistas apontam que, com vacinas já licenciadas, o mundo está melhor preparado para uma possível emergência sanitária. Agora, o foco das autoridades deve ser:
- Ampliar o acesso equitativo às vacinas;
- Acelerar a produção global;
- Monitorar mutações do vírus em tempo real.
Com planejamento e resposta rápida, a gripe aviária pode ser contida antes de causar uma nova crise global.
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