O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a protagonizar declarações polêmicas ao afirmar, nesta sexta-feira (16/5), que não pretende sair do Brasil, mesmo diante do risco de prisão, e que já espera morrer na cadeia. A fala foi feita durante uma transmissão ao vivo com a rádio Auri Verde Brasil, em que o ex-mandatário comentou o processo que enfrenta no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
“Não vou sair do Brasil. Me prendam. Está previsto 40 anos de cadeia, me prendam. Eu estou com 70 [anos] já, quase morri na última cirurgia, vou morrer e não vai demorar”, disse Bolsonaro, que recentemente passou por uma cirurgia de desobstrução intestinal e ficou internado por 21 dias em Brasília.
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O ex-presidente se referiu ao processo em que é réu no STF, acusado de liderar uma suposta trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022. Na ação penal, Bolsonaro responde por:
- Organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado contra o patrimônio da União
- Deterioração de patrimônio tombado
Caso seja condenado por todos os crimes, a pena pode ultrapassar os 40 anos de prisão.
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Na live, Bolsonaro voltou a dizer que não participou dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, pois estava nos Estados Unidos na ocasião. Em tom de ironia, classificou a acusação como um “golpe da Disney”: “Qual crime? Crime impossível, golpe da Disney. Junto com o Pateta, com a Minnie e com o Pato Donald, que eu estava lá em Orlando, programou esse golpe aí.”
Apesar do argumento, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, do STF, já afirmaram que a presença física no dia dos ataques não é determinante para a responsabilização penal, desde que o acusado tenha contribuído com os atos.
Retorno à agenda política
Mesmo após período delicado de saúde, Bolsonaro pretende retomar sua agenda política. Segundo ele, a próxima parada será em Fortaleza, na semana que vem. Sua primeira aparição pública desde a internação aconteceu no último dia 7 de maio, durante um ato pró-anistia, contrariando orientações médicas para evitar aglomerações.
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