Enquanto milhões seguem apostando na sorte, um homem decidiu confiar apenas na matemática — e faturou milhões com isso. Stefan Mandel, um matemático nascido na Romênia, ficou conhecido mundialmente por ter vencido loterias em diversos países mais de uma dezena de vezes, aplicando uma estratégia baseada em probabilidades e combinações numéricas.
Muito antes de algoritmos dominarem o mercado financeiro, Mandel já usava a lógica matemática como ferramenta para acumular prêmios. Seu método consistia em identificar loterias cujos valores principais eram ao menos três vezes maiores do que o custo total para jogar todas as combinações possíveis. Com isso, ele reduzia o risco ao mínimo: alguém iria ganhar — e esse alguém seria ele.
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Para executar a operação, Mandel contava com investidores, imprimia os milhões de bilhetes necessários (quando isso ainda era legalmente permitido) e organizava uma verdadeira operação de guerra para validar todos os jogos. Foi assim que ele conseguiu o que a maioria só sonha: embolsar dezenas de milhões de dólares em prêmios acumulados.
Sua trajetória começou ainda nos tempos do regime comunista romeno. Com o primeiro prêmio — cerca de US$ 20 mil —, ele conseguiu financiar sua saída do país, subornando autoridades para garantir a fuga da família. Após passar por Israel, estabeleceu-se na Austrália, de onde coordenou seu “sindicato da loteria”, um grupo de investidores que financiava seus planos.
As vitórias se espalharam pelo mundo. Em 1987, levou US$ 1,3 milhão na Oceania. Mas seu feito mais impressionante aconteceu no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, onde conquistou não apenas o prêmio principal, mas também dezenas de prêmios secundários, totalizando mais de US$ 30 milhões em um único sorteio.
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A façanha atraiu a atenção do FBI e da CIA, que investigaram Mandel por anos. No fim, nenhuma fraude foi encontrada: ele simplesmente havia vencido com inteligência. Ainda assim, acabou banido dos EUA por infrações migratórias. A repercussão de seus ganhos foi tanta que diversos países passaram a endurecer regras, proibindo, por exemplo, a impressão massiva de bilhetes fora dos pontos oficiais.
Hoje, aos 91 anos, Stefan Mandel vive longe dos holofotes. Ele escolheu a tranquila ilha de Vanuatu, no Pacífico Sul, para desfrutar da aposentadoria que construiu com números, papel e muita paciência.
Seu método, embora matematicamente possível, já não pode mais ser replicado nos moldes originais. Mudanças nas legislações e no próprio funcionamento das loterias tornaram inviável a execução em larga escala. Mas a história de Mandel permanece como uma das mais fascinantes interseções entre raciocínio lógico e fortuna.
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