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quarta-feira, setembro 16, 2026

Ciência brasileira descobre 62 vírus que podem eliminar bactérias perigosas

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Pesquisadores de São Paulo fizeram uma descoberta promissora no combate a bactérias nocivas: 62 novos vírus, chamados fagos, foram identificados com potencial para destruir microrganismos que causam infecções hospitalares e contaminação de alimentos. A pesquisa, coordenada por Julio Cezar Franco, professor da Unifesp, foi realizada com apoio de diversas instituições e pode abrir caminhos para soluções biotecnológicas em saúde e segurança alimentar.

As amostras analisadas vieram de diferentes fontes: estações de tratamento de esgoto da Grande São Paulo, hospitais, aeroportos, compostagem do Zoológico de São Paulo e laboratórios especializados da USP. A coleta diversificada ampliou o alcance da investigação e permitiu testar a ação dos fagos contra uma variedade de bactérias.

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Os testes foram feitos em laboratório, onde os vírus foram colocados sobre superfícies cobertas por bactérias. O surgimento de áreas transparentes, chamadas de placas de lise, indicava a destruição das células bacterianas pelos fagos. O processo foi repetido centenas de vezes até que se confirmasse a eficácia dos vírus recém-isolados.

“Conseguimos identificar 62 fagos que nunca haviam sido descritos”, afirma Franco. A equipe agora se prepara para a próxima etapa: o sequenciamento genético dos vírus e das bactérias. Com isso, será possível entender melhor como os fagos atacam seus alvos e desenvolver estratégias para potencializar esse efeito.

Além de representar uma alternativa ao uso de antibióticos — especialmente diante do crescimento das chamadas superbactérias — a pesquisa também aponta para o uso dos vírus na proteção de alimentos contra contaminações.

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A criação de um banco de fagos isolados está nos planos dos pesquisadores, o que pode facilitar o uso desses organismos em tratamentos personalizados, como a fagoterapia, já aplicada em alguns países.

Julio Franco destaca ainda o papel das universidades públicas e da colaboração científica como pilares para avanços que podem impactar diretamente a saúde da população. “Estamos trabalhando juntos para encontrar soluções reais para problemas que afetam a sociedade”, disse o pesquisador.

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