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quarta-feira, setembro 16, 2026

O enigma da longevidade das tartarugas intriga cientistas

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Enquanto muitos animais mal chegam a completar um par de anos de vida, as tartarugas desafiam o tempo. Com registros de espécies que ultrapassam um século de existência, esses répteis têm despertado o interesse de cientistas que buscam entender os segredos da longevidade no reino animal.

Parte dessa explicação está no metabolismo lento. Como os processos metabólicos estão ligados ao envelhecimento celular, um ritmo biológico desacelerado tende a preservar os tecidos por mais tempo. “É como se o corpo funcionasse em câmera lenta, consumindo menos energia e produzindo menos desgaste”, observa o professor Patrick Ricardo de Lazari, especialista em biologia.

Mas a resistência das tartarugas não se resume à lentidão do organismo. A robustez física, representada pela carapaça rígida, atua como proteção natural contra predadores. Isso, somado a um sistema imunológico eficiente e uma genética favorável, amplia suas chances de sobreviver por décadas.

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Outro fator-chave é a forma como esses animais regulam a temperatura. Como são ectotérmicos, as tartarugas não produzem calor internamente e dependem de fontes externas para se aquecer. Essa característica influencia diretamente o gasto energético, contribuindo para o prolongamento da vida. “Menor produção de calor significa menor desgaste celular”, explica o professor Eduardo Maurício Mendes de Lima, da Universidade de Brasília.

No sentido oposto da escala da longevidade estão animais como ratos e insetos, que vivem em alta velocidade. Com metabolismo acelerado, ciclo reprodutivo intenso e rápida maturação, essas espécies envelhecem depressa. “Eles vivem em um ritmo intenso desde o nascimento, o que encurta a expectativa de vida”, comenta Lazari.

O tamanho corporal, por si só, não é um indicador confiável da duração da vida. Embora animais grandes como as tartarugas vivam muito, o mesmo não se aplica a todos. Em cães, por exemplo, raças menores costumam ter mais longevidade do que as maiores. A explicação está na interação entre fisiologia, gasto energético e outras variáveis biológicas.

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A observação do envelhecimento em tartarugas também tem gerado insights sobre o envelhecimento humano. Pesquisadores acreditam que estudar os mecanismos que retardam a degradação celular nesses animais pode abrir caminhos para novas abordagens em saúde. Ainda assim, as comparações precisam ser feitas com cautela. “Tartarugas e humanos são organismos muito distintos. Apesar das semelhanças em alguns processos, há diferenças profundas em nível anatômico e evolutivo”, alerta Lima.

A busca por respostas sobre a longevidade continua, e as tartarugas seguem como uma peça importante nesse quebra-cabeça biológico. Quanto mais a ciência avança, mais claro fica que viver muito — e com qualidade — depende de um conjunto complexo de fatores ainda em processo de descoberta.

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