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quarta-feira, setembro 16, 2026

Oceano verde? Pesquisadores indicam que cor da água do planeta pode mudar no futuro

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Os oceanos da Terra, que hoje vemos em tons azulados, podem ter exibido uma aparência muito diferente no passado. Um estudo conduzido por cientistas japoneses, publicado na revista Nature, propõe que as águas do planeta já foram esverdeadas — e que podem mudar de cor novamente no futuro, conforme a química dos mares evolui.

A pesquisa se apoia em evidências observadas ao redor da ilha vulcânica de Iwo Jima, no Japão, onde a coloração verde da água está associada à presença de ferro oxidado (Fe(III)). Ali, bactérias conhecidas como algas verde-azuladas se desenvolvem com facilidade. Apesar do nome, essas “algas” são, na verdade, cianobactérias — microrganismos ancestrais que teriam protagonizado um capítulo essencial na transformação da atmosfera terrestre.

Segundo os cientistas, durante o éon Arqueano — período que começou há cerca de 4 bilhões de anos —, os oceanos abrigavam altas concentrações de ferro dissolvido, já que a atmosfera não continha oxigênio livre. Nesse ambiente, surgiram os primeiros organismos capazes de realizar fotossíntese, que utilizavam ferro, e não água, como fonte de elétrons.

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O oxigênio liberado por esses microrganismos se ligava ao ferro nos mares, formando partículas de ferro oxidado que, em grandes quantidades, conferiam uma tonalidade esverdeada à água. Essa transformação ajudou a impulsionar o chamado Grande Evento de Oxidação, que pavimentou o caminho para formas de vida mais complexas.

O estudo também mostrou que as cianobactérias modernas, quando modificadas geneticamente para produzir um pigmento chamado ficoeritrobilina (PEB), apresentam crescimento otimizado em ambientes com luz verde — uma adaptação que pode ter raízes nos oceanos antigos.

Mais do que um olhar para o passado, os autores do estudo sugerem que oceanos de outras cores ainda podem surgir. A depender de mudanças químicas, como o aumento de enxofre ou ferro, os mares poderiam ganhar colorações roxas ou vermelhas. Em locais afetados por poluição e fertilizantes, por exemplo, já se observam proliferações de algas vermelhas, fenômeno conhecido como “maré vermelha”.

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Ao considerar a evolução do Sol e o impacto do aquecimento global, os pesquisadores não descartam cenários em que as cores dos oceanos mudem drasticamente — até desaparecerem completamente, quando os mares forem evaporados pelo calor solar extremo no futuro distante.

“Em escalas de tempo geológicas, nada é permanente”, apontam os autores, reforçando que até mesmo a coloração dos nossos oceanos está sujeita às constantes transformações do planeta.

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