15 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Médico implanta “rolha” no coração e reduz risco de AVC

Leia mais

Após décadas atuando dentro das UTIs como cardiologista, o médico intensivista Silvio Luis de Souza Pantaleão, de 65 anos, se viu no papel de paciente. Diagnosticado com fibrilação atrial após uma série de episódios de arritmia em 2022, ele precisou tomar uma decisão rápida para evitar um acidente vascular cerebral (AVC), complicação comum dessa condição cardíaca.

A fibrilação atrial é um tipo de arritmia que compromete o ritmo de parte do coração, favorecendo a formação de coágulos que podem migrar para o cérebro. Estima-se que essa disfunção esteja ligada a cerca de 120 mil AVCs por ano no Brasil. Para reduzir os riscos, a recomendação mais frequente é o uso contínuo de anticoagulantes — uma opção que não agradava a Silvio.

“Como pratico esportes com frequência e tenho um histórico de problemas gástricos, o uso desses remédios representava um risco alto para mim”, explica o médico. Foi então que, com a orientação do cardiologista Tarcísio Vasconcelos, ele conheceu o Watchman, um pequeno dispositivo implantado no coração capaz de bloquear a área onde normalmente se formam os coágulos.

++ Cientistas acreditam ter encontrado sinais de vida fora da terra

O procedimento é feito com o auxílio de uma sonda inserida pela virilha, sem necessidade de cirurgia aberta. Em cerca de duas horas, o aparelho é posicionado no apêndice atrial esquerdo, região do coração onde há maior propensão à formação de trombos. O método, considerado minimamente invasivo, exige apenas um curto período de observação e recuperação.

“A peça funciona como uma rolha. Ela veda o local mais vulnerável à coagulação e, com isso, evita que os coágulos sigam até o cérebro”, explica Vasconcelos.

Desde julho de 2024, o Watchman passou a integrar o rol de procedimentos de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, conforme resolução da ANS. Apesar disso, muitos profissionais ainda desconhecem o método — algo que Silvio tenta mudar com sua própria experiência.

“Meus colegas e pacientes ficam curiosos quando conto o que passei. Saber que eu voltei a jogar tênis um mês depois tranquiliza muita gente”, relata.

++ Mistério da domesticação dos gatos pode ter raízes em antigos rituais egípcios

A segurança da técnica também é sustentada por estudos. Segundo dados da Boston Scientific, fabricante do dispositivo, cerca de 96% dos pacientes conseguem suspender o uso de anticoagulantes até 45 dias após o implante, iniciando em seguida apenas o uso de medicamentos antiplaquetários.

Para Silvio, além de uma medida médica, a escolha pelo dispositivo também foi uma decisão emocional. “O medo de ter um AVC era constante. Saber que eu poderia prevenir isso sem depender de remédios diários foi um alívio. Eu precisava dessa segurança”, conclui.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias