Um grupo de cientistas da Universidade de Tóquio apresentou um avanço inédito na engenharia de alimentos ao desenvolver um pedaço de carne de frango de 11 gramas sem usar células diretamente retiradas de um animal. O protótipo, do tamanho de um nugget, foi gerado com base em um sistema artificial que simula o funcionamento do corpo, distribuindo nutrientes por uma rede de fibras ocas que imita os vasos sanguíneos.
Embora o alimento ainda não possa ser consumido — pois foi produzido com materiais não comestíveis —, os autores da pesquisa enxergam na inovação uma prova de que a fabricação de carnes inteiras em laboratório está cada vez mais próxima da realidade. “É uma conquista extraordinária da engenharia”, avaliou o cientista Mark Post, pioneiro da carne cultivada em laboratório, mesmo sem participação direta no estudo.
++ Cientistas acreditam ter encontrado sinais de vida fora da terra
O trabalho, publicado na revista Trends in Biotechnology, marca uma mudança importante em relação às técnicas anteriores, que se limitavam a criar pequenas porções celulares. O grande desafio era permitir o crescimento de tecidos mais complexos sem que houvesse morte celular por falta de oxigênio. A solução foi um sistema robótico que controlou a irrigação de nutrientes, permitindo que o tecido ganhasse estrutura tridimensional semelhante à de uma peça natural de carne.
Segundo o engenheiro Shoji Takeuchi, que liderou a equipe, a técnica permite “preservar a textura e a composição muscular” das carnes reais. O microfilé produzido foi resultado da montagem de 1.125 fibras, gerando a maior amostra de carne cultivada do tipo já registrada.
nuf
O passo agora é substituir os materiais sintéticos por opções comestíveis, o que tornaria o alimento viável para testes de consumo e, futuramente, para comercialização. A mesma tecnologia, segundo os cientistas, também pode ser adaptada para aplicações médicas, como a criação de tecidos humanos para transplantes.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



