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quarta-feira, setembro 16, 2026

Investigação sobre aposta suspeita com Bruno Henrique avança e coloca Blaze no centro das apurações

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A Polícia Federal decidiu ampliar a investigação sobre o caso de apostas esportivas envolvendo Bruno Henrique, atacante do Flamengo, concentrando-se agora na plataforma Blaze. Embora o jogador já tenha sido formalmente indiciado, os investigadores continuam apurando a suspeita de manipulação do jogo entre Flamengo e Santos, em 2023, no qual o atleta recebeu um cartão amarelo.

Segundo fontes ligadas à investigação, quatro apostas realizadas por pessoas próximas ao jogador foram identificadas na Blaze. Todos os envolvidos mantêm vínculo direto com o irmão de Bruno Henrique, Wander Nunes Pinto Júnior, apontado como responsável por intermediar as apostas. A PF busca entender se houve premeditação na conduta do atleta durante a partida.

Enquanto outras casas de apostas como Betano, GaleraBet e KTO forneceram não apenas os dados cadastrais, mas também os valores apostados e eventuais ganhos dos envolvidos, a Blaze se limitou a entregar as informações básicas dos usuários. A empresa alegou restrições legais para resguardar os dados, citando o Marco Civil da Internet e a Lei de Lavagem de Dinheiro.

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Essa justificativa, porém, tem sido questionada por investigadores, que veem na resistência da Blaze um obstáculo à elucidação do caso. Eles afirmam que o fornecimento das informações é respaldado por lei quando se trata de cooperação com autoridades em investigações criminais.

Conversas revelam possível articulação

Trocas de mensagens recuperadas no celular de Wander reforçam a suspeita de que o cartão amarelo pode ter sido planejado. Em um dos diálogos, ele chega a pedir dinheiro emprestado a Bruno Henrique, mencionando uma aposta de R$ 3 mil que renderia R$ 12 mil, mas que acabou sendo bloqueada por uma das plataformas devido ao volume atípico de apostas.

“Se você me ajudar nessa aí você vai me salvar, não tenho nem mais onde recorrer”, escreveu Wander, relatando dificuldades financeiras e apontando que o saque da aposta ainda não havia sido liberado. Para os investigadores, a conversa é uma das mais comprometedoras do processo.

Bruno Henrique respondeu de maneira vaga, demonstrando desconhecimento sobre o teor da mensagem. No entanto, no dia seguinte, ele enviou um comprovante de transferência bancária ao irmão, o que sugere algum tipo de auxílio financeiro após o pedido.

Ministério Público deve apresentar denúncia

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deve denunciar o jogador nos próximos dias. A promotoria conduz uma investigação paralela à da PF e já descartou a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal, alegando que os crimes apurados têm penas superiores ao limite legal permitido para esse tipo de benefício.

Além da esfera criminal, o caso também pode ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que solicitou acesso às provas reunidas pela Polícia Federal.

Apostadores miraram no cartão amarelo

As casas de apostas relataram à PF que, antes mesmo do início do jogo, mais de 95% das apostas se concentravam na possibilidade de Bruno Henrique receber um cartão amarelo — um dado que chamou a atenção das autoridades. A Betano, por exemplo, indicou que 98% das apostas tinham esse foco.

Para os investigadores, os indícios apontam uma possível combinação entre o jogador e pessoas próximas, com objetivo de lucrar em cima de um evento dentro de campo. Em mensagens encontradas no celular de Wander, ele chega a escrever: “Investimento com sucesso”, ao falar sobre uma possível aposta relacionada ao cartão.

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Aparelho apagado

No celular de Bruno Henrique, a PF encontrou quase quatro mil conversas, mas muitas estavam vazias ou deletadas. Já no telefone de seu irmão, as autoridades conseguiram recuperar os diálogos mais comprometedores, incluindo trechos que sugerem que o jogador tinha conhecimento prévio do cartão amarelo.

Em uma das mensagens, Bruno Henrique comenta que só seria advertido “se entrasse forte em alguém”, reforçando a hipótese de que a penalidade foi planejada.

A Blaze informa que atende prontamente a qualquer solicitação da Polícia Federal e demais autoridades, fornecendo os dados requisitados, dentro dos limites estabelecidos pela legislação brasileira vigente.

Confira o posicionamento da Blaze:

“De acordo com o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/14) e com a Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/98), apenas dados cadastrais básicos podem ser compartilhados diretamente com autoridades policiais, quando não há ordem judicial.

Caso haja determinação judicial, a Blaze estará plenamente apta a fornecer dados adicionais,  como informações financeiras ou de apostas, sempre em estrita observância aos preceitos legais. A empresa repudia e combate veementemente qualquer conduta ilícita ou tentativa de manipulação esportiva.

A Blaze reforça ainda que opera regularmente no Brasil com licença definitiva concedida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, e reitera seu compromisso de colaborar com as autoridades, sempre respeitando também os direitos de seus usuários.”

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