Consumir bebidas alcoólicas com frequência pode comprometer a saúde do cérebro a longo prazo, especialmente quando a ingestão ultrapassa sete doses por semana. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), divulgada na revista científica Neurology, da Academia Americana de Neurologia.
O estudo analisou o cérebro de 1.781 pessoas, com idade média de 75 anos no momento da morte. Os pesquisadores identificaram que os indivíduos que consumiam álcool de forma excessiva – ou seja, oito ou mais doses semanais – apresentavam risco significativamente maior de desenvolver alterações nos vasos cerebrais, conhecidas como lesões por arteriolosclerose hialina. Essa condição afeta a circulação sanguínea no cérebro e está associada a perdas de memória, declínio cognitivo e doenças como o Alzheimer.
“Esse hábito representa uma grande preocupação de saúde pública global, pois está associado a um maior risco de doenças e ao aumento da mortalidade”, alertou o pesquisador Alberto Fernando Oliveira Justo, primeiro autor do estudo.
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Os dados foram obtidos por meio de questionários respondidos por familiares dos falecidos, que relataram os padrões de consumo ao longo da vida. A partir disso, os participantes foram divididos em quatro grupos: abstêmios, bebedores moderados (até sete doses semanais), bebedores excessivos (oito ou mais doses) e ex-bebedores excessivos.
Mesmo o consumo moderado não se mostrou inofensivo. Entre os abstêmios, 40% apresentavam lesões nos vasos cerebrais, enquanto esse número saltava para 50% entre os que tinham histórico de consumo elevado. Já o grupo moderado apresentou uma elevação de 60% no risco de lesão, em comparação com os que nunca beberam.
O estudo também revelou que tanto os bebedores excessivos quanto os ex-bebedores apresentaram maior incidência de alterações associadas ao Alzheimer, como o acúmulo de proteína tau. Entre os que consumiam muito álcool regularmente, o risco de apresentar essas alterações subia até 41%.
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Para os pesquisadores, a mensagem é clara: reduzir ou interromper o consumo de álcool pode trazer benefícios significativos para a saúde cerebral. “Parar de consumir álcool é uma das primeiras medidas recomendadas pelos médicos e frequentemente adotada pela família”, reforça Justo.
Compreender os impactos do álcool na cognição e na memória é, segundo os especialistas, fundamental para orientar políticas públicas e estimular a prevenção de doenças neurodegenerativas, especialmente em uma população cada vez mais longeva.
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