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quarta-feira, setembro 16, 2026

Descoberta genética inédita revela baleia-franca com cromossomos de ambos os sexos

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Uma análise genética feita décadas após a coleta de amostras de pele revelou um achado inédito no universo dos mamíferos marinhos: uma baleia-franca-austral com um conjunto de cromossomos considerado atípico, contendo dois cromossomos X e um Y — configuração conhecida como XXY. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade de St. Mary, no Canadá, marca o primeiro caso documentado de intersexualidade nessa espécie.

O material genético analisado pertence a um exemplar identificado como Eau10b, coletado em 1989 com o auxílio de arpões, prática comum em estudos sobre cetáceos. Inicialmente classificado como fêmea, o indivíduo voltou a chamar atenção durante uma nova rodada de testes, quando a presença de um gene Y, característico de machos, foi detectada em uma região do DNA conhecida por determinar o sexo.

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“Esse tipo de variação genética é o que chamamos de aneuploidia sexual, uma condição rara em que o organismo apresenta um cromossomo a mais do que o habitual”, explicou a bióloga Carla A. Crossman, autora principal do estudo. Segundo ela, a condição pode gerar alterações no desenvolvimento reprodutivo, embora, no caso de animais selvagens, os efeitos práticos ainda sejam pouco compreendidos.

No reino animal, é difícil identificar casos como esse apenas pela aparência, o que torna o sequenciamento genético uma ferramenta essencial para detectar variações desse tipo. Em humanos, a mesma configuração cromossômica é conhecida como Síndrome de Klinefelter, geralmente associada a traços físicos como estatura elevada e alterações hormonais.

Embora já existam registros esporádicos de aneuploidia em outras espécies de baleias e golfinhos, esta é a primeira vez que a condição é identificada em uma baleia-franca-austral (Eubalaena australis), uma das espécies mais estudadas pelos biólogos marinhos por seu comportamento migratório e social.

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Os cientistas destacam que ainda é cedo para medir o impacto da condição na vida do animal, mas o achado abre portas para novas pesquisas sobre diversidade genética em mamíferos marinhos e sua possível influência em aspectos como fertilidade, longevidade e comportamento.

“É um exemplo poderoso de como os arquivos de amostras biológicas guardam respostas para perguntas que só conseguimos fazer décadas depois”, conclui Crossman.

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