Pesquisadores da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, identificaram traços de mercúrio nas penas de pinguins coletadas na Península Antártica Ocidental, revelando a presença do poluente mesmo em uma das regiões mais isoladas do planeta. As conclusões do estudo foram publicadas na revista Science Direct no fim de 2023.
A análise envolveu amostras de penas de três espécies — pinguim-de-adélia, pinguim-gentoo e pinguim-de-barbicha — e buscou entender de que forma os hábitos alimentares e as rotas migratórias dessas aves influenciam nos níveis de contaminação. Os dados mostraram que os pinguins-de-barbicha apresentaram concentrações significativamente mais elevadas do metal pesado em comparação com as outras espécies.
Segundo os pesquisadores, o resultado está ligado à movimentação dos pinguins fora do período reprodutivo. Durante o inverno, os pinguins-de-barbicha se deslocam para regiões mais ao norte, onde a presença de mercúrio é mais intensa. “Antes deste estudo, não sabíamos que os pinguins que migravam mais para o norte tinham maior exposição ao mercúrio”, explicou John Reinfelder, um dos autores da pesquisa e professor do Departamento de Ciências Ambientais da Rutgers.
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O mercúrio é uma substância altamente tóxica que se acumula ao longo da cadeia alimentar, especialmente em ambientes aquáticos. Mesmo sem fontes industriais próximas ao continente antártico, o metal chega à região por meio de correntes atmosféricas de longa distância. “A situação é semelhante ao que aconteceu com o DDT nos anos 1960. Descobrimos esses compostos em locais onde nunca haviam sido usados”, afirmou Reinfelder.
Além da medição dos níveis de mercúrio, o estudo investigou os padrões alimentares dos pinguins a partir da análise de isótopos de carbono e nitrogênio presentes nas penas, e também levou em conta o tamanho do krill consumido — um dos principais alimentos dessas aves marinhas.
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A descoberta reforça a preocupação global sobre os impactos da poluição em áreas remotas e serve de alerta sobre as consequências da atividade humana nos ecossistemas mais frágeis do planeta.
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