15 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Ciência mira no passado para reconstruir o futuro com animais extintos

Leia mais

A startup americana Colossal Biosciences deu mais um passo rumo a um cenário que parece saído da ficção científica. Três filhotes nascidos recentemente carregam traços genéticos do lendário lobo-terrível, um predador extinto há cerca de 13 mil anos e popularizado em séries como Game of Thrones. O experimento, segundo a empresa, marca o início de uma nova fase da chamada “desextinção”.

“Para a Colossal, a desextinção não se trata apenas de criar um organismo que se assemelhe a uma espécie extinta. Trata-se de unir a biodiversidade do passado com as inovações do presente, em um esforço para criar um futuro mais sustentável”, afirma o site da empresa.

Fundada em 2021 e com uma equipe formada por mais de 130 cientistas, a Colossal também aposta em trazer de volta outras espécies já desaparecidas, como o mamute-lanoso, o dodô e o tigre-da-tasmânia. A ideia é usar a biotecnologia para reintroduzir esses animais aos ecossistemas, com a promessa de restaurar funções ecológicas perdidas e, ao mesmo tempo, ampliar o conhecimento sobre biologia e medicina.

++ Desextinção do lobo-terrível gera polêmica no mundo científico

Os métodos variam conforme a espécie. Para o mamute-lanoso, a base do trabalho é o elefante-asiático, seu parente mais próximo, que serve como “hospedeiro” para genes extraídos de fósseis preservados em gelo. Já o dodô, símbolo clássico da extinção causada por ações humanas, teve seu DNA sequenciado e poderá ser recriado com a ajuda de pombos, usados como intermediários no processo. No caso do tigre-da-tasmânia, extinto no século passado, a estratégia envolve clonagem e células de espécies geneticamente similares.

Apesar do entusiasmo, o projeto também gera polêmica. Cientistas alertam para a falta de publicações revisadas por pares e questionam a eficácia dos experimentos. No caso dos “novos lobos”, a Colossal modificou apenas 14 genes entre os cerca de 19 mil que compõem o genoma canino. As alterações foram feitas em lobos-cinzentos — espécie ainda viva — com base em fósseis do lobo-terrível encontrados em regiões como Ohio e Idaho. O objetivo era replicar características como porte físico, musculatura e pelagem.

C

Para parte da comunidade científica, os animais gerados não podem ser considerados verdadeiros lobos-terríveis, mas sim híbridos modernos com semelhanças genéticas superficiais. A crítica central gira em torno da degradação natural do DNA ao longo dos milênios e da complexidade de reconstruir, com fidelidade, uma espécie extinta há milhares de anos.

Ainda assim, a Colossal segue defendendo que a tecnologia utilizada pode, no futuro, não apenas “reviver” espécies perdidas, mas também evitar que outras desapareçam. Um projeto que levanta questionamentos éticos e técnicos, mas que promete seguir no centro do debate sobre os limites da biotecnologia.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias