Por décadas, cientistas discutiram se os dinossauros já estavam em declínio quando um asteroide atingiu a Terra há 66 milhões de anos. Mas uma nova análise conduzida por paleontólogos britânicos reacende esse debate ao indicar que a diversidade desses animais pode ter sido maior do que os registros fósseis sugerem. O estudo foi publicado nesta terça-feira (8) na revista científica Current Biology.
A equipe da University College London revisou dados de aproximadamente 8 mil fósseis encontrados na América do Norte e pertencentes a quatro grupos de dinossauros: Ankylosauridae, Ceratopsidae, Hadrosauridae e Tyrannosauridae. As amostras datam de um período que se estende por quase 18 milhões de anos, compreendendo as eras Campaniana e Maastrichtiana, que antecederam o impacto do asteroide.
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Para os pesquisadores, a aparente redução na variedade de espécies observada nos últimos seis milhões de anos antes da extinção pode não refletir um colapso real. Eles apontam que a escassez de fósseis preservados pode ter distorcido a percepção sobre o desaparecimento dos dinossauros.
“O tema é debatido há mais de 30 anos — será que os dinossauros já estavam com os dias contados antes da colisão do asteroide?”, questiona Chris Dean, autor principal do estudo.
A pesquisa propõe que a fossilização, por depender de condições ambientais muito específicas, pode ter ocultado grande parte da diversidade real de espécies da época. Um exemplo citado pelos autores é o fato de os fósseis de ceratopsianos — dinossauros que habitavam regiões planas — serem mais comuns por conta das condições ideais de preservação. Já os hadrossauros, que viviam próximos a cursos d’água, são mais raramente encontrados, devido à ausência de sedimentos que favorecessem a fossilização.
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Alfio Alessandro Chiarenza, coautor do estudo, reforça: “Os dinossauros provavelmente não estavam fadados à extinção no fim do Mesozóico. Se não fosse por aquele asteroide, eles poderiam muito bem ainda dividir o planeta com mamíferos, répteis e aves”.
A nova interpretação desafia a ideia de uma decadência inevitável e sugere que o impacto cósmico foi, de fato, o ponto decisivo para o fim da era dos dinossauros — e não um processo que já estava em curso.
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