Com águas que alcançam quase 1.600 metros de profundidade, o Lago Baikal, na Sibéria, é o mais profundo do planeta — e também um dos mais antigos e enigmáticos. Formado por uma fenda tectônica ainda ativa, o lago guarda nas suas águas geladas uma biodiversidade que não se repete em nenhum outro canto do mundo.
Estima-se que milhares de espécies habitem o Baikal, muitas delas exclusivas desse ambiente extremo. É o caso da foca-do-baikal, única espécie de foca de água doce conhecida, e do omul, peixe típico das águas profundas do lago, muito valorizado pela população local.
“Esse ecossistema é único não só pela profundidade, mas pelas condições ambientais extremas, que exigiram adaptações surpreendentes das espécies”, afirma o biólogo Rodrigo Basílio, da Blue Global School, em Brasília. De acordo com o professor, animais que vivem nas regiões mais fundas desenvolveram resistência à pressão elevada, temperaturas baixíssimas e à escuridão quase total — alguns, inclusive, brilham no escuro.
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Outras espécies que se destacam no Baikal incluem o crustáceo Epischura baicalensis, fundamental para manter a qualidade da água, o peixe translúcido golomyanka e até esponjas de água doce que formam verdadeiros recifes submersos.
A origem do lago está relacionada ao afastamento gradual das placas tectônicas naquela região do planeta, o que explica sua profundidade e o formato alongado. “Lagos tectônicos são os mais profundos da Terra. Sua formação permite o acúmulo de grandes volumes de água e, por consequência, favorece o surgimento de espécies muito específicas”, explica o geógrafo Rômulo Pereira, do Colégio Marista João Paulo II.
Mas esse patrimônio natural enfrenta sérias ameaças. A poluição — seja por esgoto doméstico, metais pesados ou microplásticos — já começa a alterar o equilíbrio ecológico do lago. O aquecimento global também preocupa: com o aumento das temperaturas, há redução do oxigênio na água, o que afeta diretamente espécies adaptadas ao frio extremo.
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Além disso, a entrada de espécies invasoras e o uso excessivo dos recursos do lago, como a pesca predatória e a exploração hídrica, pressionam ainda mais esse ecossistema delicado e insubstituível.
Com sua paisagem deslumbrante e importância científica, o Baikal é mais do que o lago mais profundo do mundo — é uma cápsula do tempo que revela como a vida pode florescer nos lugares mais inóspitos da Terra. Preservá-lo é preservar uma das joias mais raras do planeta.
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