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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas modificam camundongos com genes de mamutes em experimento

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Uma empresa americana anunciou um avanço significativo em seu projeto de modificar geneticamente animais com características de espécies extintas. A Colossal Biosciences revelou que conseguiu alterar camundongos para desenvolverem pelos longos e ondulados semelhantes aos do mamute-lanoso, que desapareceu da Terra há cerca de quatro mil anos. O experimento faz parte de um plano mais amplo que visa, no futuro, trazer de volta uma versão adaptada desse animal pré-histórico.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (5) e despertou tanto entusiasmo quanto ceticismo na comunidade científica. A pesquisa envolveu a análise de genomas extraídos de restos de mamutes e comparados a espécies vivas, como o elefante-asiático. Com isso, os cientistas identificaram e modificaram 10 variantes genéticas relacionadas ao crescimento e textura dos pelos, além do metabolismo da gordura corporal. Um dos principais genes alterados foi o FGF5, que regula o crescimento capilar e resultou na criação de camundongos com pelos mais longos e densos.

Para chegar a esse resultado, foram realizadas cinco rodadas de experimentos, produzindo cerca de 250 embriões geneticamente modificados. Destes, 38 camundongos nasceram com as alterações esperadas, incluindo uma taxa acelerada de metabolismo lipídico, característica que teria auxiliado o mamute-lanoso a sobreviver a temperaturas extremas.

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Apesar do avanço, especialistas alertam que ainda é cedo para afirmar que a pesquisa representa um passo concreto na recriação de um mamute-lanoso. Alguns cientistas questionam se as alterações genéticas realmente conferem resistência ao frio, objetivo declarado do projeto. Além disso, como os camundongos são jovens, ainda não há dados suficientes sobre como essas modificações podem impactar sua saúde a longo prazo, incluindo fertilidade e riscos de doenças.

Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick, destacou que, por enquanto, os cientistas apenas criaram camundongos peludos sem saber se as mudanças terão algum impacto significativo. Stephan Riesenberg, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, também minimizou a importância do feito, afirmando que “está longe de ser um mamute ou mesmo um ‘camundongo mamute’, apenas um animal com genes alterados”.

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A Colossal Biosciences, fundada em 2021, tem como objetivo criar versões modificadas de espécies extintas, argumentando que isso poderia ajudar na restauração ambiental. O projeto de recriação do mamute-lanoso é justificado pela possibilidade de conter a liberação de dióxido de carbono em regiões da tundra, onde esses animais teriam ajudado a manter ecossistemas pastoris.

A empresa, que já arrecadou bilhões de dólares para suas pesquisas, planeja introduzir os primeiros bezerros de mamutes-lanosos até 2028. No entanto, cientistas seguem debatendo os impactos, desafios e ética desse tipo de experimentação genética.

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