Diante do aumento de 52% no preço do café torrado e moído nos últimos 12 meses, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), consumidores brasileiros têm buscado alternativas mais econômicas. O café solúvel, que registrou um reajuste menor de 17% no mesmo período, apresenta-se como uma opção viável, podendo custar até 40% menos que o café tradicional.
A economia é perceptível no consumo diário. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o custo para preparar uma xícara de café solúvel varia entre R$ 0,18 e R$ 0,29, enquanto o café coado tradicional custa entre R$ 0,30 e R$ 0,43 por xícara. Essa diferença se deve, em parte, à quantidade necessária para o preparo: são utilizados cerca de 5 gramas de pó para o café coado, contra apenas 1 grama para o solúvel.
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A origem do café solúvel remonta aos anos 1930, quando o Brasil enfrentava uma crise de excesso de produção cafeeira, resultando na queda dos preços internacionais e preocupando os produtores nacionais. Em busca de uma solução, representantes do setor procuraram a Nestlé na Suíça, propondo o desenvolvimento de um produto que permitisse conservar o café sem perder seu sabor. O químico Max Morgenthaler liderou a pesquisa e, em 1937, conseguiu criar um pó de café que se dissolvia em água mantendo aroma e sabor, graças à adição de hidratos de carbono. Embora tenha sido inicialmente comercializado na Europa, o produto chegou ao mercado brasileiro em 1953, após adaptações para atender às exigências locais.
O processo de fabricação do café solúvel envolve a extração do café torrado e moído em tanques com água quente, resultando em um concentrado que é posteriormente seco e transformado em pó. Existem dois métodos principais de produção: o “spray dried”, onde o café é pulverizado em uma câmara de secagem a altas temperaturas, formando um pó fino; e o “freeze dried” (liofilização), que consiste em congelar o café a -40°C e submetê-lo à sublimação, preservando melhor os aromas e sabores.
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Ao longo do tempo, a indústria investiu na melhoria da qualidade do café solúvel, substituindo grãos da espécie canéfora por arábica, mais apreciado por seu sabor. Apesar de algumas diferenças sensoriais em relação ao café coado, devido à não extração de certos componentes durante o processo, a praticidade e o menor custo têm tornado o café solúvel uma escolha crescente entre os consumidores brasileiros.



