A Polícia Federal (PF) identificou uma conexão entre as operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia do segundo turno das eleições de 2022 e uma suposta tentativa de golpe de Estado. No Nordeste, região onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentava maior vantagem, as blitze pararam cerca de dois mil ônibus, dificultando o deslocamento de eleitores.
O relatório final, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro, também inclui o indiciamento de figuras centrais, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques, além de outros cinco servidores. As acusações incluem crimes como restrição ao direito de voto e omissão em tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
++ STF reforça segurança dos ministros com contrato de R$ 84 milhões
O documento, que está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), revela que as ordens para as blitze partiram da cúpula da PRF, então liderada por Vasques e subordinada a Torres. A operação teria sido articulada para prejudicar eleitores de Lula durante o segundo turno, caracterizando abuso de poder.
Além de Torres e Vasques, foram indiciados ex-diretores da PRF, um ex-coordenador de inteligência da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e quatro delegados federais. Segundo a PF, esses servidores violaram o Código Penal ao dificultar o exercício de direitos políticos por razões de procedência regional.
Em nota, a PRF informou que abriu processos administrativos disciplinares para apurar as condutas dos envolvidos, agora sob a responsabilidade da Controladoria-Geral da União (CGU). A ANTT afirmou que está colaborando com as investigações e já tomou providências relacionadas ao servidor cedido à agência.
O caso das blitze não é o único a levantar suspeitas sobre ações articuladas contra o processo eleitoral. Em outro inquérito, a PF apontou o envolvimento de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em disseminação de desinformação e ataques ao sistema eleitoral, além de assessoria ao então presidente Jair Bolsonaro em estratégias direcionadas contra instituições democráticas.
As investigações continuam a revelar detalhes de um cenário complexo, reforçando a importância de responsabilização e transparência no processo democrático.



