O cinema brasileiro alcançou um marco histórico nesta quinta-feira (23), com o filme Ainda Estou Aqui recebendo indicações ao Oscar, incluindo a categoria de Melhor Filme. A obra, dirigida por Walter Salles, é baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, que narra o desaparecimento de seu pai, o ex-deputado Rubens Paiva, durante o regime militar no Brasil.
O anúncio das indicações aconteceu próximo ao aniversário de 54 anos da morte de Rubens Paiva, ocorrida em 21 de janeiro de 1971. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, o ex-deputado foi preso, torturado e morto no DOI-CODI, no Rio de Janeiro, um dos principais centros de repressão da ditadura.
Rubens Paiva, eleito deputado federal em 1962 pelo PTB, teve sua carreira política interrompida após o golpe militar de 1964. Como vice-presidente de uma comissão parlamentar que investigava financiamentos de grupos opositores ao governo de João Goulart, ele se tornou alvo do regime, foi cassado e precisou se exilar na Europa antes de retornar ao Brasil.
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Preso em 20 de janeiro de 1971, Paiva desapareceu no dia seguinte. O filme retrata a angústia de sua família, que jamais recebeu informações oficiais sobre o paradeiro do corpo. A versão apresentada pelo Exército na época alegava que ele havia sido sequestrado por militantes durante uma transferência. Contudo, investigações posteriores confirmaram que ele foi torturado e morto sob custódia militar.
A inclusão de Rubens Paiva na lista de desaparecidos políticos ocorreu apenas em 1996, quando sua família recebeu uma certidão de óbito. Décadas depois, a Comissão Nacional da Verdade e o Ministério Público Federal responsabilizaram cinco militares pelos crimes de tortura, homicídio e ocultação de cadáver.
O ator Selton Mello, que interpreta Rubens Paiva no longa, comemorou a indicação nas redes sociais. “Este filme é uma lembrança do que não pode ser esquecido. Ele carrega uma beleza austera e leva nossa sensibilidade ao mundo”, afirmou.
Fernanda Torres, que vive Eunice Paiva, esposa de Rubens, também destacou a relevância do filme, que, segundo ela, busca preservar a memória e trazer à tona verdades sobre o período da ditadura militar no Brasil.
Com uma trama que mistura emoção e história, Ainda Estou Aqui promete representar o Brasil de forma marcante no Oscar, reforçando a importância do cinema como ferramenta de memória e justiça.



