O número de idosos no Brasil tem crescido exponencialmente nas últimas décadas, e essa tendência deve continuar. Em 2000, havia 15,2 milhões de pessoas com mais de 60 anos no país, número que saltou para 33 milhões em 2023. Projeções do IBGE indicam que, em 2070, mais de um terço da população será composta por pessoas dessa faixa etária. Nesse cenário, o Sebrae tem incentivado pequenos negócios a se adaptarem à chamada “economia prateada”, voltada ao público sênior.
Flávio Barros, analista de Competitividade do Sebrae, destaca que os empreendedores precisam ajustar suas operações para garantir um atendimento de qualidade aos idosos. “É importante treinar a equipe para ter mais paciência, ser amigável e oferecer comodidades como cadeiras. O cliente idoso valoriza a atenção e, se tiver uma boa experiência, é mais propenso a retornar e trazer novos clientes”, explica Barros.
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Ele também ressalta a necessidade de adaptar plataformas digitais para esse público, especialmente no e-commerce. Segundo a pesquisa “Diversa idade”, realizada pela Globo, 92% dos brasileiros acima de 50 anos utilizam a internet e 70% compram online pelo menos uma vez por mês. Barros alerta para a importância de criar aplicativos com interface simples, fontes maiores e navegação facilitada, já que muitos empreendedores ainda ignoram essa fatia crescente de consumidores.
Histórias de sucesso no mercado sênior
Rita Lingarai, empreendedora desde os anos 1990, transformou sua paixão por educação física em um negócio próspero voltado ao público maduro. Inicialmente focada em aulas para pessoas com mais de 50 anos, Rita expandiu suas atividades e fundou a AF&TUR 50+, oferecendo pacotes de turismo combinados com atividades esportivas para idosos. Destinos como Jalapão (TO), Minas Gerais e até Cartagena, na Colômbia, já foram visitados pelos clientes de sua empresa.
Para Rita, o segredo do sucesso está em um genuíno respeito pelo processo de envelhecimento. “Se o empreendedor não tiver amor por essa faixa etária e não entender o envelhecimento como um todo, o negócio não se sustenta”, afirma. “Não se pode ver os idosos apenas como uma oportunidade de mercado. É preciso gostar de trabalhar com eles.”
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Dicas para atrair o público 60+
Guilherme Menezes, CEO da Koala Hub, uma startup focada no empreendedorismo voltado à longevidade, oferece três orientações essenciais para empreendedores que desejam conquistar o público sênior:
- Atendimento personalizado: A interação com idosos deve ser diferente da com jovens, considerando o ritmo mais lento de tomada de decisões. “Não adianta querer atender rapidamente, como fazemos com os mais jovens. O cliente acima de 60 anos requer um atendimento mais calmo e atencioso”, explica Menezes.
- Comunicação inclusiva: É fundamental que os idosos se sintam representados nas campanhas publicitárias. “Se todo o marketing está voltado para os jovens, como o público sênior vai se enxergar como cliente?”, questiona.
- Respeito acima de tudo: Evitar o tratamento paternalista é crucial. “Tratar o cliente como ‘vovô’ ou ‘vovó’ pode ser ofensivo. Além disso, consumidores mais velhos tendem a ser muito mais fiéis do que os jovens, o que faz da fidelização um diferencial importante para os negócios”, conclui Guilherme.
Essas orientações destacam a importância de compreender as necessidades específicas do público 60+ e oferecem um caminho para os empreendedores se prepararem para esse segmento em expansão.
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