
IA brasileira ajuda a polícia a conectar pistas, esclarecer casos e localizar veículos. (Foto: Instagram)
Em cerca de 18 meses, uma inteligência artificial brasileira contribuiu para esclarecer mais de 7 mil casos policiais, apoiar 4,7 mil prisões e recuperar 2,1 mil veículos. Os resultados, segundo levantamento da empresa, foram registrados em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, onde as forças de segurança utilizam a plataforma da Pax. A tecnologia cruza grandes volumes de informações para identificar suspeitos, reconstruir trajetos e localizar veículos, acelerando investigações que poderiam levar horas ou dias.
A ferramenta busca transformar dados dispersos em pistas concretas e ampliar a capacidade de análise dos policiais, sem substituir a avaliação humana nem as decisões dos investigadores. Uma pesquisa nacional da Quaest encomendada pela Pax, realizada em setembro com 2.004 entrevistas, apontou que 28% dos brasileiros consideram a violência o principal problema do país, à frente da corrupção e da economia. O uso de inteligência artificial na segurança pública é visto como positivo por 86% dos entrevistados, enquanto 93% consideram efetiva a integração entre câmeras, IA e polícia. O apoio supera 95% quando a tecnologia é usada para encontrar desaparecidos, recuperar veículos roubados e localizar foragidos.
David Peixoto, CEO e cofundador da Pax, afirma que os policiais já têm experiência e conhecimento para investigar, mas precisavam de recursos capazes de processar rapidamente grandes volumes de informação. Segundo ele, a IA conecta pistas antes separadas e permite que as equipes atuem com mais agilidade. A empresa diz que pretende colocar tecnologia avançada a serviço dos profissionais que combatem o crime.
A plataforma funciona como assistente de investigação. Em vez de analisar manualmente milhares de imagens, boletins de ocorrência, registros de veículos e outras bases, o policial pode descrever em linguagem natural o que procura. O sistema cruza os dados disponíveis, aponta possíveis conexões e apresenta pistas para verificação pelos investigadores. Pode localizar veículos sem que a placa seja conhecida, identificar trajetos e padrões de deslocamento e relacionar informações aparentemente desconectadas.
As versões mais recentes usam modelos de visão e linguagem, ou VLMs, capazes de interpretar imagens, textos e descrições. Entre as possibilidades estão identificar locais visitados com frequência por veículos investigados e analisar automóveis que circulam juntos em certos trajetos. A ferramenta integra informações que antes eram consultadas separadamente, para que os policiais se concentrem na checagem das evidências e no trabalho de campo. Ela não realiza prisões nem determina a culpabilidade de suspeitos.
Em Goiânia, após uma joalheria ser invadida pelo sistema de ar-condicionado, os criminosos trocaram de roupa e de veículo mais de uma vez. Com poucas informações — uma descrição física e uma picape branca —, os investigadores usaram a IA para reconstruir cerca de dois quilômetros da fuga e identificar os envolvidos. Três suspeitos foram presos no mesmo dia. Em outro caso, 32 celulares foram furtados durante um show. A partir do sinal de um aparelho, a polícia reduziu o número de veículos investigados e rastreou os suspeitos até outro estado. Na noite seguinte, uma operação em Brumado, na Bahia, prendeu um suspeito e recuperou 28 aparelhos escondidos no fundo falso de um veículo.
Fundada em 2024, a Pax reúne profissionais brasileiros com experiência em empresas como Palantir, Meta, Nubank e Brex. A equipe inclui especialistas formados em instituições como ITA, Harvard, Stanford e MIT, alguns deles com carreira no exterior antes de retornar ao Brasil. A empresa combina essa experiência com o conhecimento de profissionais das forças de segurança para desenvolver ferramentas voltadas às necessidades das investigações policiais.



