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segunda-feira, outubro 26, 2026

Mercados devem abrir sob forte pressão de baixa após reeleição de Lula

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Vitória de Lula deve pressionar os mercados brasileiros, com queda na bolsa, alta do dólar e dos juros, segundo analistas. (Foto: Instagram)

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve provocar forte pressão sobre os ativos brasileiros na abertura dos mercados nesta segunda-feira, segundo profissionais do mercado. A expectativa é de queda acentuada das ações, alta do dólar frente ao real e avanço das taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs). Alguns analistas também preveem a interrupção temporária das negociações na B3 para conter movimentos bruscos.

Lula venceu com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), com quase 100% das urnas apuradas. Como investidores estavam, em grande parte, posicionados para uma vitória de Flávio, o ajuste pode ser intenso. Lais Costa, analista da Empiricus Research, afirmou que as pesquisas não indicavam a vitória de Lula e que, na tarde de sexta-feira, o mercado parecia apostar no senador. Naquele dia, o dólar caiu e a bolsa subiu.

Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado se o Ibovespa recuar mais de 10% em relação ao fechamento anterior, suspendendo as negociações por 30 minutos. Se, após a retomada, a queda chegar a 15%, há nova interrupção, por uma hora; uma baixa de 20% provoca uma terceira paralisação. No dólar futuro, uma alta de 6% pode levar a um leilão de alguns minutos para a formação de um preço de equilíbrio. Criptoativos ligados ao dólar subiam perto de 9% na noite de domingo, sinalizando possível avanço expressivo da moeda na segunda-feira.

Como o dólar à vista tem suas cotações definidas com base no mercado futuro, mais líquido, a expectativa é de alta desde o início das negociações, às 9h. José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, projetou circuit breaker na bolsa, paralisação no dólar e possibilidade de a moeda chegar a R$5,50. Na sexta-feira, em meio às apostas em Flávio, o dólar havia fechado abaixo de R$5,00. Em Tóquio, o Nomura NF Ibovespa Link ETF, fundo de ações brasileiras negociado na bolsa local, recuava perto de 15% naquela noite.

Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, disse que a mudança de expectativa pode levar investidores a buscar proteção cambial. Ele não descartou atuação do Banco Central para conter uma alta excessiva, por meio de swaps ou leilões de moeda à vista. Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, também previu um ajuste severo de preços, com queda da bolsa, desvalorização do real e alta dos juros, até que o novo governo reforce seu compromisso fiscal.

Os contratos de juros, sobretudo os de longo prazo, também podem subir, refletindo as expectativas para a política fiscal. Na segunda-feira após o primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula, a taxa do DI para janeiro de 2035 caiu mais de 130 pontos-base. Com o resultado do segundo turno, profissionais consideram possível a devolução desse movimento. Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, avaliou que dólar e juros futuros podem superar os níveis da sexta-feira anterior ao primeiro turno.

A mudança nas taxas de curto prazo deve afetar as apostas para as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em novembro e dezembro. Até sexta-feira, o mercado projetava corte de 25 pontos-base na Selic, então em 13,75%, em novembro, e considerava provável outra redução igual em dezembro. Após a vitória de Lula, a expectativa mencionada por profissionais passou a ser de apenas mais um corte de 25 pontos-base em novembro.

A volatilidade também pode se prolongar por causa de possíveis contestações judiciais. A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender a votação das 17h às 19h, devido a problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, pode ser questionada. Após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pediria a anulação do pleito. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que discussões sobre judicialização ou outros desdobramentos políticos podem manter a incerteza e afetar os preços dos ativos.

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