
Aliados de Flávio Bolsonaro compararam a extensão do horário de votação no Brasil à eleição venezuelana de 2015. (Foto: Instagram)
Após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliados do candidato do PL compararam a extensão do horário de votação, neste domingo, 25, à eleição venezuelana de 2015. Eles afirmaram que a medida teria favorecido o PT e interferido no resultado. A comparação, porém, desconsidera que a própria campanha de Flávio pediu adiamentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por causa de fortes chuvas, além das diferenças entre os dois pleitos.
Os aliados de Flávio contestaram a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu por duas horas o prazo de votação, até as 19 horas. O PT havia solicitado a prorrogação ao STF e ao TSE após relatos de problemas no transporte coletivo em Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ).
A campanha de Flávio também pediu mais tempo para votar. A primeira solicitação abrangia 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina afetados por fortes chuvas naquele domingo. O segundo pedido envolvia cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse que aguardaria relatórios para avaliar os impactos no transporte antes de decidir. Zanin, entretanto, determinou a prorrogação.
Depois da apuração, Nunes Marques afirmou que estender uma eleição é possível, mas exige planejamento, cálculo e estrutura. Ele também elogiou a equipe técnica do tribunal por evitar efeitos maiores. Embora não tenha apontado prejuízos ao processo eleitoral, o presidente do TSE — indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — foi citado por aliados de Flávio, que rejeitaram o resultado e recorreram ao exemplo venezuelano.
Em dezembro de 2015, os venezuelanos elegeram os integrantes da Assembleia Nacional. Pouco antes do encerramento da votação, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ampliou o horário em uma hora. A então presidente do órgão, Sandra Oblitas, justificou a decisão com relatos de locais de votação fechados sem que os eleitores que aguardavam na fila fossem devidamente verificados. Ela anunciou que as mesas funcionariam até as 19 horas ou enquanto houvesse pessoas na fila.
A oposição venceu aquela eleição, conquistando 112 das 167 cadeiras, mas denunciou a prorrogação. Segundo seus representantes, o governo tentava mobilizar eleitores para evitar uma derrota ainda maior. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), observador internacional naquele pleito, foi um dos primeiros a traçar um paralelo com a situação brasileira. Nas redes sociais, afirmou que a prorrogação determinada por Zanin repetia o método usado na Venezuela e mencionou a relação de Lula com Nicolás Maduro e uma declaração do presidente brasileiro sobre haver “excesso de democracia” no país.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também divulgou a comparação a seus apoiadores. Ele destacou que Zanin, ex-advogado de Lula, decidiu estender a votação após o horário previsto para seu encerramento, algo que classificou como inédito no país. Antes da confirmação da derrota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, já havia pedido que o bom senso prevalecesse sobre o que chamou de “golpe judiciário ou chicana administrativa”. Depois, classificou a decisão como “vergonhosa e intempestiva” e disse que ela serviria para tumultuar uma eleição que os adversários já teriam perdido.



